quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A MULHER DE VERMELHO - Manuel Veiga

A MULHER DE VERMELHO

“Rasgam-se as cortinas e sob o foco a Mulher
Esguia como o tempo liberto como o  punho
Erguido ao céu da praça cheia e às canções!
Maiakovski grita em métricas guturais

“Abram alas ao futuro que perpassa nas dobras
 Do manto vermelho!...”

A Mulher inclina-se em dignidade soberba
Segura nas mãos a flor dos dias e nos olhos
O fervor prenhe de lonjura e de distância
E a palavra ousada nos lábios escarlate
Como a túnica...

Em baixo uma criança negra soletra liberdade
Nas pétalas desfolhadas do cravo rubro
Que a mãe lhe dera com o leite...

E o pai sorri com os imaculados dentes
Da fome! Com o grito! Com a guerra!
E ergue o punho à mulher de vermelho
Que o acolhe no seu seio de cristal...

E o devolve ao Povo acumulado na praça
Num gesto de febre
E luta...

Viva a Liberdade!”


POEMAS CATIVOS – Poética Edições – Lisboa 2014

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