terça-feira, 20 de agosto de 2019

Punho erguido Hino MST - Ademar Bogo


 
Punho erguido Hino MST


Vem, teçamos a nossa liberdade
braços fortes que rasgam o chão
sob a sombra de nossa valentia
desfraldemos a nossa rebeldia
e plantemos nesta terra como irmãos

Vem, lutemos punho erguido
Nossa Força nos leva a edificar
Nossa Pátria livre e forte
Construída pelo poder popular

Braço erguido, ditemos nossa história
sufocando com força os opressores
hasteemos a bandeira colorida
despertemos esta pátria adormecida
O amanhã pertence a nós trabalhadores

Nossa força resgatada pela chama
da esperança do triunfo que virá
forjaremos desta luta com certeza
pátria livre operária camponesa
nossa estrela enfim triunfará!

 Letra de Ademar Bogo, música de Willy C. de Oliveira


Símbolo de classe. No ventre da injustiça gerar onde quer que surge e acompanha e
«O punho erguido (também conhecido como o punho cerrado) é um símbolo de solidariedade e apoio.[1] Também é utilizado como uma saudação para expressar unidade, força, desafio ou resistência. A saudação remonta a antiga Assíria como um símbolo de resistência em face da violência. É usado principalmente por ativistas de esquerda, tais como: marxistas, anarquistas, comunistas e pacifistas

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Segunda-feira - Primo Levi

Segunda-feira

O que é mais triste que um comboio?
Que parte quando deve partir,
Que tem somente uma voz,
Que tem somente um caminho.
Nada é mais triste que um comboio.
Ou talvez um burro de carga.
Está preso entre duas barras
E não pode olhar para o lado.
Sua vida é só caminhar.
E um homem? Não é triste um homem?
Se vive há muito em solidão,
Se acha que o tempo terminou,
Um homem também é coisa triste.

Para comemorar o centenário de nascimento de Primo Levi, a Editora Todavia lança o livro “Mil Sóis — Poemas Escolhidos”. A tradução é do experimentado Maurício Santana Dias, professor da Universidade de São Paulo. A edição é bilíngue.




domingo, 18 de agosto de 2019

DE NOITE - Gomes Leal


DE NOITE

Ele vinha da neve, dos trabalhos
violentos, custosos, da enxada,
cantando a meia voz, pelos atalhos.

A mulher, loura, infeliz, resignada,
cosia junto à luz. O rijo vento
batia contra a porta mal fechada.

Ao pé havia um Cristo, um ramo bento
e uma estampa da Virgem, colorida,
cheia de mágoa, olhando o firmamento…

Uma banca de pinho, mal sustida,
vacilante nos pés; um candeeiro,
companheiros daquela negra vida.

O homem, alto, pálido, trigueiro,
entrou. Tinha as feições queimadas, duras,
dos que andam, com enxada, o dia inteiro.

A mulher abraçou-o. As linhas puras
do seu rosto contavam já tristezas
de grandes e secretas amarguras.

Tinha chorado muito as estreitezas
daquela vida assim!… Talvez sonhado
um dia com palácios e riquezas!

Ele deitou-se a um canto, fatigado
de erguer-se, alta manhã, todos os dias
mal voavam as pombas do telhado.

fora, nuvens grossas e sombrias
no pesado horizonte. Ele assim esteve
-- as noites eram ásperas e frias --.

Ela cobriu-o duma manta leve,
esburacada, velha. No telhado
ouvia-se cair, sonora, a neve.

Ela então meditou no seu passado;
no seu primeiro beijo, nas lembranças,
talvez, do seu vestido de noivado,

e nas tardes das eiras, e das danças
às estrelas, e aquela vez primeira
que a rosa lhe furtou das longas tranças;

e aquela tarde, junto da amoreira,
que trocaram as mãos; e na janela;
e quando olhavam, juntos, a ribeira;

e quando ela tímida e singela…

…………………..

fora, dava o vento nos caixilhos;
não brilhava no céu nem uma estrela.

E, àquela hora da noite, por que trilhos
andariam no mundo – ela cismava –
nas misérias, talvez, sem rumo, os filhos!...

Ele, na manta velha, ressonava.


sábado, 17 de agosto de 2019

OS BRAVOS GENERAIS - RUY BELO


OS BRAVOS GENERAIS

Os bravos generais caem do escadote
citam teilhard frequentam o templo
São eles e não as damas quem nos salões dá o mote
Os filhos podiam invocá-los como exemplo
seu peito fero é todo uma medalha
e ganham sempre só perdem a batalha
do escadote quando o inimigo grita: toma
chegou a tua vez de receberes um hematoma
Seja a subir seja a descer - desde que não seja escada -
os generais avançam pois não temem nada
Mas -- sobressaltam-se eles -- o que é que o meu olhar avista?
Um simples escadote o grande terrorista

RUY  BELO
( Homem de Palavra(s), 1969)

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Nunca fui a Granada - Eduardo Olímpio

Nunca fui a Granada

- para o António Luís Moita
   ourives de Poesia

Rafael Alberti disse-me um dia
Tens que ir a Granada,
companheiro.

Agosto no Alentejo
e Alberti pensativo e triste o dia inteiro.

Um cigano que passou
acendeu versos na estrada.

Um cavalo branco voou
e acendeu versos na estrada.

Uma ceifeira cantou
e acendeu mágoas na estrada.

A Guarda Republicana
acendeu medos na estrada.

Rafael Alberti disse:
Todo o mundo em todo o mundo está inteiro:

- Não tens que ir a Granada,
companheiro.

1987