sexta-feira, 13 de setembro de 2019

La Paloma Juarista, Eugenia León




La Paloma Juarista


El año 64
¡Válgame Dios!
Estábamos en la guerra de intervención
La danza de la paloma hacia furor
En medio de los desastres de la nación

Maximiliano con todos sus traidores
Se creían invencibles los invasores

El presidente Juárez y sus patriotas
No se desanimaban con las derrotas.

Se vino el invasor por toda la nación
Hay, destruyendo nuestros hogares
sin tener compasión

Y en la nueva centuria¡
Válgame Dios!

Sufríamos nuevas guerras e imposición
y fuego llovía del cielo sin compasión
matando a gente buena sin distinción
Si a tu frontera llega una paloma,
cuida que se no se abuitre lo que se asoma.

¡Cuánta falta nos hace Benito Juárez!
para desplumar aves neoliberales.

¡No te quiebres país!
¡Aquí está mi canción!
¡Que un águila y una serpiente defienden a esta nación!

¡Ay! Palomita de ayer y hoy,
contra el racismo y la intervención

Vuela paloma a las fronteras
cuida tu gente que la palea
que no queremos imperialismos
estamos hartos de su cinismo
que nuestros aires son soberanos
somos humanos y mexicanos

Apfelstrudel - Ana Margarida de Carvalho

Apfelstrudel

Aprende comigo, filha, 
Este andar de sombra de serpente, 
Rente e rasteiro,
esgueirado nas esquinas, 
Com a leveza nos pés, as mãos vertiginosas, 
A suspender a trepidação cardíaca, 
E o curso do sangue nas veias. 

Um dia te ensino, minha filha, 
A escutar as cores, a falar silêncios, 
A soltar os fiapos, 
Das arestas, dos estilhaços, 
Que te embaraçam a saia. 
A caminhar nos escombros, 
Sem derrocar pedra pequeninas, areias, cacos, fragmentos, restos,
Excertos de existências, 
Pulverizadas. 

Aprende comigo, filha, 
Que nem o caos deve ser perturbado
E a vida voa baixinho

Nunca te lerei poemas, meu amor, 
Que te puxem a fome, e a beleza intacta das coisas
Ofende o despedaço. 

Leremos juntas, 
Não os livros sagrados
Que pregam o perdão e praticam o esquecimento. 
De nós

Leremos juntas, 
Olha, que lindo, 
O livro de receitas da avó:
Deite a farinha em monte sobre uma superfície lisa, 
A candura das palavras, filha, repara:
No meio um ovo e duas colheres de azeite, 
A exactidão da sintaxe:
Amasse com água morna e sal, 
E na volúpia da fusão, 
Envolva na massa a compota de maçã, 
Entraremos juntas na absolvição do cosmos. 

In Pequenos Delírios Domésticos 




quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Rua de Camões - Inês Lourenço



Rua de Camões

A minha infância
cheira a soalho esfregado a piaçaba
aos chocolates do meu pai aos Domingos
à camisa de noite de flanela
da minha mãe

Ao fogão a carvão
à máquina a petróleo
ao zinco da bacia de banho

Soa a janelas de guilhotina
a desvendar meia rua
surgia sempre o telhado
sustentáculo da mansarda
obstáculo da perspectiva

Nele a chuva acontecia
aspergindo ocres mais vivos
empapando ervas esquecidas
cantando com as telhas liquidamente
percutindo folhetas e caleiras
criando manchas tão incoerentes nas paredes
de onde podia emergir qualquer objecto

E havia a Dona Laura
senhora distinta
e sua criada Rosa
que ao nosso menor salto
lesta vinha avisar
que estavam lá em baixo
as pratas a abanar no guarda-louça

O caruncho repicava nas frinchas
alongava as pernas
a casa envelhecia

Na rua das traseiras havia um catavento
veloz nas turbulências de Inverno
e eu rejeitava da boneca
a imutável expressão

A minha mãe fazia-me as tranças
antes de ir para a escola
e dizia-me muitas vezes

Não olhes para os rapazes
que é feio.

Inês Lourenço
in 'Cicatriz 100%'

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Pequenas Coisas - Albano Martins

Pequenas Coisas

Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

A hora - Cochat Osório

A hora

que anda na angústia forte da esperança
e na alegria trágica e cansada
de não esperar.

Quando a hora chegar...

Essa hora
com bandeiras, bandeiras e bandeiras
e multidões vibrantes a passar
para dizer aos homens do passado,
para dizer aos homens do futuro,
para dizer presente
e continuar.

Quando a hora chegar...

Há crianças sem pai,
há crianças sem mãe,
que hão de pôr risos novos sobre a boca
que ainda não tem pão;
que hão-de pôr brilhos novos sobre os olhos
que ainda vão chorar;
que hão-de pôr forças novas no combate
que vai recomeçar.

Quando a hora chegar...

Cimentada com lágrimas e sangue
e dor
e ansiedade
e medo de a perder...

Ah!, levem-me também,
eu vou também!
( Eu quero ter esta certeza
se não sobreviver!)..
.

Cochat Osório

domingo, 8 de setembro de 2019

Futebol Americano Uma reflexão sobre a guerra do golfo - Harold Pinter

Futebol Americano
Uma reflexão sobre a guerra do golfo

Aleluia!
Funciona.
Rebentámos-lhes com aquela merda toda.

Rebentámos-lhes com a merda pelo cu acima
Até lhes sair pela porra das orelhas.

Funciona.
Rebentámos-lhes até com a merda.

Eles sufocaram na própria merda!

Aleluia.
O Senhor seja louvado por todas as coisas boas.

Desfizemos aquela porra toda em merda.
Estão a comê-la,

O Senhor seja louvado por todas as coisas boas.

Rebentámos-lhes os tomates em estilhaços de pó,
Na porra de estilhaços de pó.

Conseguimos.

Agora quero que venhas aqui e me beijes
na boca.

Harold Pinter
Tradução de Pedro Marques e Jorge Silva Melo

American Football

(A Reflection upon the Gulf War)
Hallelullah!
It works.
We blew the shit out of them.

We blew the shit right back up their own ass
And out their fucking ears.

It works.
We blew the shit out of them.
They suffocated in their own shit!

Hallelullah.
Praise the Lord for all good things.


We blew them into fucking shit.
They are eating it.

Praise the Lord for all good things.
We blew their balls into shards of dust,
Into shards of fucking dust.

We did it.
Now I want you to come over here and kiss me on the mouth.
Harold Pinter