terça-feira, 22 de outubro de 2019

Eu pisarei as ruas novamente - Pablo Milanés

  
Composição e interpretação de Pablo Milanés



Eu pisarei as ruas novamente


Eu pisarei as ruas novamente
do que foi Santiago ensanguentado
numa bela praça libertada
vou parar de chorar pelos ausentes.  
Virei do deserto calcinante
e sairei dos bosques e dos lagos
e evocarei uma colina de Santiago
aos meus irmãos que morreram antes.

Eu unido ao que fiz muito e pouco
a quem quer a pátria libertada
dispararei as primeiras balas
 mais cedo do que tarde sem repouso

voltarão os livros as canções
que queimarão as mãos assassinas
renascerá meu povo das ruinas
e pagarão seus crimes os traidores.

Uma criança brincará numa alameda
E cantará com seus novos amigos
E esse canto será o canto del suelo
De uma vida cega na La Moneda.

Eu pisarei as ruas novamente
do que foi Santiago ensanguentado
numa bela praça libertada
vou parar de chorar pelos ausentes.

PABLO MILANES

Yo Pisare Las Calles Nuevamente

Yo pisaré las calles nuevamente
de lo que fue Santiago ensangrentada
y en una hermosa plaza liberada
me detendré a llorar por los ausentes.
Yo vendré del desierto calcinante
y saldré de los bosques y los lagos
y evocaré en un cerro de Santiago
a mis hermanos que murieron antes.
Yo unido al que hizo mucho y poco
al que quiere la patria liberada
dispararé de las primeras balas
más temprano que tarde sin reposo
retornarán los libros las canciones
que quemaron las manos asesinas
renacerá mi pueblo de su ruina
y pagarán su culpa los traidores.
Un niño jugará en una alameda
y cantará con sus amigos nuevos
y ese canto será el canto del suelo
a una vida segada en La Moneda.
Yo pisaré las calles nuevamente
de lo que fue Santiago ensangrentada
y en una hermosa plaza liberada
me detendré a llorar por los ausentes.

Compositores: PABLO MILANES
Letras de Yo Pisare Las Calles Nuevamente
© Universal Mgb Autores Asociados, Liam




segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Liberdade - Sérgio Godinho


 
Liberdade

Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir


domingo, 20 de outubro de 2019

Os meninos de Huambo - Letra: Manuel Rui Monteiro Música Rui Mingas interprete Paulo de Carvalho




 


Interprete Paulo de Carvalho
 


Os meninos de Huambo

Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos de Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia

Com os lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Com os sorrisos mais lindos do planalto
Fazem continhas engraçadas de somar
Somam beijos com flores e com suor
E subtraem manhã cedo por luar

Dividem a chuva miudinha pelo milho
Multiplicam o vento pelo mar
Soltam ao céu as estrelas já escritas
Constelações que brilham sempre sem parar

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo

Assim contentes à voltinha da fogueira
Juntam palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo

sábado, 19 de outubro de 2019

Apertem os cintos… está prestes a aterrissar!

“Novo livro de Ana Margarida de Carvalho em outubro”

«A Relógio d`Água vai publicar "O Gesto Que Fazemos para Proteger a Cabeça", o mais recente livro da premiada escritora portuguesa Ana Margarida de Carvalho, cuja história gira em torno de duas sociedades fechadas na raia alentejana, que vivem à margem da lei, em tempos próximos da guerra civil espanhola.»

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Chullage – Eles Comem Tudo


 

Chullage – Eles Comem Tudo

E a Finança enche a pança
Com o aval da liderança
Despedimentos em vez de aumentos
São os rumos da mudança
Especuladores, ladrões de ofício
grandes salários e benefícios
Bebem o fruto do nosso suor
E depois pedem-nos sacrifícios
Apoderam da gerência
Levam empresas à falência
Saem com bónus de milhões
E despedem sem clemência
E o salário mingua
Pra que o lucro não diminua
Justificam-se com a crise
E os bancos põem-nos na rua
Saem do público pró privado
Depois do futuro adjudicado
Vendem serviços a eles próprios
Pilhando cofres do estado
Combatem o défice à nossa mesa
Mas vivem a grande a francesa
Congelam salários e subsídios
Que é pra cortar a despesa

Fazem-nos retenção na fonte
Enquanto empresas põem-se a monte
Num paraíso fiscal
Pra lá do nosso horizonte
Impõem o empréstimo
Em troca de soberania
Enriquecem com os juros
E sufocam a democracia
Cortam na educação
Exigem mais avaliação
Abandonam o ensino público
Mas os seus filhos lá não estão
Saúde também leva facada
Comparticipação cortada
Morremos na fila de espera
Que eles estão na clínica privada
Falam de paz e democracia
Igualdade cidadania
E dão-nos o direito de escolha
Pró próximo rosto da tirania
Entram com tanques e aviões
Chamam paz a ocupações
Deixam um rasto de sangue
Na riqueza das nações
Trazem cérebros e minérios
Deixam escombros e cemitérios
Enriquecem a reconstruir
Os seus velhos impérios
Pro mundo levam do ocidente
Os seus restos e excedentes
E em nome de ajuda humanitária
Destroem a economia das gentes
Entram com máquinas a dentro
Expulsam-nos do nosso alojamento
Pra longe em prisões de cimento
E fazem grandes empreendimentos
Dos seus condomínios fechados
Com seguranças e empregados
Afastados da miséria
E ódio por eles criado

Vêm com o grande capital
Abrem o centro comercial
Catedral do consumo
E matam o comércio local
Nas terras de outros enchem carteiras
Fazem turismo com peneiras
Refugiam-se na fortaleza
E fecham as suas fronteiras
Fazem crescer economias
Parasitando minorias
últimos a quem reconhecem
Liberdades e garantias
cruzadas evangelistas
Holocaustos sionistas
vão conquistando o mundo
Na caça aos fundamentalistas
Pregam a fé dos belicistas
Queixam-se de guerrilhas e bombistas
pela contagem das vítimas
Eles é que são os terroristas
Impunes a roubar milhões
Prendem os pequenos ladrões
Que neste pa´s pilhado
Gladiam-se por uns tostões
Depõem o inimigo eleito
E põem o amigo do peito
Pra manejar as marionetas
Do colonialismo refeito
Aumentam o orçamento
Pra guerra e policiamento
Pra conter o descontentamento
Esse é o crime violento

Pra se proteger da multidão
Que só quer pão e habitação
Comem tudo o que há pra comer
E deixam-nos a estender a mão