E esta? Nós, aqui, preocupados em pôr de pé, contra os mil ventos e marés de dentro e os que estavam a ser preparados de fora, um futuro mais digno para Portugal, e os nossos vizinhos, nuestros hermanos, a tramarem com os Estados Unidos uma guerra que provavelmente nos deixaria destruídos e, não duvidemos, mal-ferida a própria Espanha. Depois das conversações que Franco manteve no passado com a Alemanha de Hitler com vista à partilha, pataca a mim, pataca a ti, das colónias portuguesas, pairava agora sobre as nossas cabeças a ameaça explícita de uma invasão à qual talvez só tenha faltado o sim do Estados Unidos.Terei de dizer que não foi para isto que escrevi A jangada de pedra?
sábado, 8 de novembro de 2008
O Caderno de Saramago/1
E esta? Nós, aqui, preocupados em pôr de pé, contra os mil ventos e marés de dentro e os que estavam a ser preparados de fora, um futuro mais digno para Portugal, e os nossos vizinhos, nuestros hermanos, a tramarem com os Estados Unidos uma guerra que provavelmente nos deixaria destruídos e, não duvidemos, mal-ferida a própria Espanha. Depois das conversações que Franco manteve no passado com a Alemanha de Hitler com vista à partilha, pataca a mim, pataca a ti, das colónias portuguesas, pairava agora sobre as nossas cabeças a ameaça explícita de uma invasão à qual talvez só tenha faltado o sim do Estados Unidos.Terei de dizer que não foi para isto que escrevi A jangada de pedra?
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Rotativismo político -- Raúl Proença
ROTATIVISMO POLÍTICO E ESTABELIDADE POLÍTICA GOVERNATIVA
Parece que o problema capital desta República é agora o aniquilamento absoluto dos pequenos agrupamentos partidários. É este, como se sabe, o mot-dórdre olímpico dos bonzos eleitos no último congresso democrático. Estamos na hora extremamente pícara em que os Tavares Ferreira, travestis em Cipiões, pronunciam o Delenda Carthago. E o mais interessante do caso é que entre os políticos que parecem dispostos a dar a sua adesão a esse pitoresco plano de extermínio, estão precisamente os independentes! Enfim, é um tributo prestado ao génio e à inteligência. Não teríamos sido lógicos, se tivéssemos tido lógica uma só vez na vida.
O que se pretende, afinal? Fundar o rotativismo e assegurar a estabilidade governamental.
Mas, embora se possa divergir com boas razões do rotativismo, o que é certo é que há um rotativismo saudável, como há um rotativismo doentio, e até criminoso; uma estabilidade benéfica, ao lado duma estabilidade perniciosa.
Analisemos.
O rotativismo só pode constituir uma modalidade saudável da vida política quando é exercido por dois partidos de feição doutrinária divergente e oposta, quando esses partidos representam dois grandes sistemas gerais de opinião perfeitamente distintas e um deles seria na vida política e na governação o correctivo indispensável do outro. É o que se dá entre nós? Evidentemente que não. Ambos os partidos que neste momento, depois da irradiação dos canhotos, pretendem alternar-se no poder, têm uma feição caracteristicamente conservadora. Não se distinguem um do outro senão pelas pessoas que os constituem. Alternar-se-iam, pois, as gamelas, não se alternariam as opiniões. Seria um rotativismo de estômagos, não seria um rotativismo de tendências. É esse que os srs. querem, para maior triunfo da democracia, parecendo assim assegurar a perfeita normalidade do sistema republicano, quando não fazem mais que falsificá-lo e pervertê-lo?Também toda a gente reconhece, como uma condição da vida hígida do Estado e do bom funcionamento das instituições políticas, um mínimo de estabilidade governativa. Muito bem. mas nós não ficamos por aqui – e é nisto que nos distinguimos dos brutos. Reconhecemos igualmente que acima da estabilidade há os princípios, as aspirações, as capacidades, o valor dos partidos em benefícios dos quais ela se realiza. Nada mais proveitoso para o país que a estabilidade dum governo de homens inteligentes, honestos, livres de toda a clientela financeira, desempoeirados do espírito, com bastante largueza de inteligência para compreender na sua essência e nas suas diversas modalidades os problemas nacionais, com bastante capacidade de acção para começar a resolvê-los, com bastante energia para meter na ordem todos os que conspirem contra ela, com bastante carácter para não trair as belas promessas do tempo da propaganda, a que miseravelmente estamos faltando todos os dias. Mas a estabilidade dum governo de bonzos, incontestavelmente estúpidos (com ofensa e sem favor), de inteligência empedernida por uma fossilização multi-secular (o sr. Silva Barreto, por exemplo, é do jurássico inferior), absolutamente incapazes, por constituição mental, de ver os problemas com toda a clareza e amplitude, e ainda por cima pertencendo na sua maior parte à firma Parlamento, Nunes & C.ª, com as afinidades mais suspeitas, essa é decerto a maior calamidade que pode sofrer qualquer país.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Relax
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Papoupa na calçada
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Vida
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Mistérios
«
O
Foi neste
O
Tá-se, tá-se, sublinhou o
E o
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
O Museu do Manholas
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Os ideólogos do
Os
Há,
E
Seria
Deveriam
Querem
E ao
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Au! Au! Au!
A AUTO-ESTIMA
Au! Au! Au!
“Queremos mentiras novas”
(paredes que falam)
Um tanto autista, o senhor Presidente, com toda a autoridade que o cargo lhe confere e porque não nos auspicia dias melhores, faz um apelo à nossa auto-estima para enfrentarmos o auto-de-fé da nossa autofágica e agonizante economia.
Os portugueses devem auto-afirmar-se, demonstrar autoconfiança, deixar de se auto-agredir, auto-admirando-se. O trabalhador deve ser audaz, ao mesmo tempo que austero, e não pensar em aumentos.
Os autocratas, não sendo totalmente australopitecos, devem fazer autocrítica, seguida de autocensura por se autogovernarem.
Os
Sempre em autocontemplação pela auto-estrada da auto-suficiência, recusando a autognose, sem se autodefinir, os autodenominados e auriluzentes governantes auscultam o eco da sua auto-satisfação:
A
Os
Auto-estimem-se! Pedem-nos. Automotivem-se, auto-instruam-se, auto-ajudem-se, autoprotejam-se, automaticamente, como autómatos. Assim sendo, entramos em autogestão, com total autonomia, sem necessitar de governantes.
Desejaram-nos
- Era tão bom ter um autoclismo do tamanho da Barragem do Alqueva!...
Não era?


