segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Fórum Municipal Romeu Correia

A Câmara Municipal de Almada apresenta a edição/DVD Almada: Vozes de Resistência, dia 29 de Setembro, pelas 21H00, no Auditório do Fórum Municipal Romeu Correia.

Resultado de uma campanha de recolha que mobilizou cerca de duas dezenas de entrevistados, este trabalho é um documento de divulgação centrado nas memórias sobre formas de resistência, formais e não formais, em Almada, ao regime do Estado Novo. Em discurso directo ouvimos testemunhos de uma geração nascida nas décadas de 20 e 30 do século passado sobre a centralidade industrial do Concelho na região da Grande Lisboa, e uma concentração operária, base para a construção de uma identidade assente no trabalho e nas redes sociais a ele associadas.

Esta edição, integrada nas comemorações municipais do 35º Aniversário do 25 de Abril, representa um contributo da Câmara Municipal de Almada para a transmissão de testemunhos vivos da resistência às gerações mais novas, para o conhecimento da história e preservação da memória, assumindo-se igualmente como singela homenagem a todos os resistentes, homens e mulheres mais ou menos anónimos, que nas vozes presentes neste DVD reconheçam o eco das suas experiências e percursos de vida.



Auditório Lopes Graça

Fórum Municipal Romeu Correia

Praça da Liberdade, 2800-648, Almada

Tel. 212724920 / 212724927

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

NÃO significa NÃO - NO MEANS NO!

Os lobos atacam em matilha a vitima indefesa

Caros amigos e apoiantes

Estamos a contactá-lo de novo por ter assinado no ano passado a petição «Os amigos da Irlanda votam não por mim».

Infelizmente, o governo irlandês e a UE não respeitaram o voto irlandês contra o tratado de Lisboa. Em vez disso, o povo irlandês tem que votar de novo «da maneira certa», agora no dia 2 de Outubro de 2009.

Para convencer o eleitorado irlandês a votar SIM, o seu próprio governo e o Conselho Europeu fizeram promessaslegalmente não vinculativas – em relação à neutralidade, ao seu próprio comissário europeu, à lei fiscal e ao aborto. Contudo, eles vão votar uma segunda vez, tal como antes, exactamente o mesmo tratado.

Na nossa opinião, é tão andidemocrático o eleitorado votar duas vezes sobre o mesmo assunto como o é o facto de se terem pura e simplesmente ignorado os três anteriores plebiscitos.

É por isso que lançámos uma nova campanha na Internet para uma Europa pacífica, social, ecológica e democrática.

http://www.no-means-no.eu

Por favor visite o nosso sítio na Internet, assine a nova petição e espalhe a informação! Ajude-nos a parar este tratado antidemocrático!

Em anexo encontrará um web banner que pode ser usado livremente para promover a nossa campanha. Mais uma vez obrigado pelo seu apoio!

Atentamente,

Paula Polak, Christian Felber E Stephan Siber

NO MEANS NO! (NÃO QUER DIZER NÃO)

http://www.no-means-no.eu

NO MEANS NO! Yes to Europe! No to the Lisbon Treaty!

Dear friends & supporters,

We get in touch with you again because you signed the petition “Irish friends vote no for me” last year.

Unfortunately, the Irish government and the EU did not respect the Irish vote against the Lisbon treaty. Instead, the Irish people should vote again “in the right way” now on October 2nd 2009.

In order to convince the Irish electorate to vote yes, their own government and the EU Council have made – legally non-binding – promises regarding neutrality, their own EU commissioner, tax law and abortion. However, they will be voting a second time on exactly the same treaty as before.

In our view, it is just as undemocratic to have an electorate vote on the same issue twice as it is to simply ignore the three previous plebiscites.

That’s why we launched a new campaign website for a peaceful, social, ecological and democratic Europe:

http://www.no-means-no.eu

Please, have a look at our website, sign the new petition and spread the info! Help us to stop this undemocratic treaty!

Attached you’ll find a web banner which can be freely used to promote our campaign. Thanks again for your support!

Yours faithfully,

Paula Polak, Christian Felber & Stephan Siber

NO MEANS NO!

http://www.no-means-no.eu

domingo, 13 de setembro de 2009

A guerra das palavras


A guerra das palavras aí está no palco eleitoral e para melhor ser compreendida transcrevo de “A Intoxicação Linguística”[DERIVA] de Vicente Romano a pág. 11 do Primeiro Capítulo.

«Numa entrevista concedida no Outono de 1952 ao New York Times, Albert Einstein explicava por que não podia ser criadora de ciência a pessoa carente de visão do mundo e de consciência histórica. Não basta ensinar uma especialidade, afirmava. Dessa forma até se pode ser uma máquina proveitosa, mas nunca uma pessoa valiosa. O que importa é perceber aquilo a que vale a pena aspirar. De outra forma, com todo o conhecimento especializado, fica-se mais parecido com um cão treinado do que com uma personalidade harmonicamente dotada.

O cientista tem de conhecer as motivações dos seres humanos, aprender a conhecer as suas aspirações e as suas dores, adquirir uma atitude correcta diante do próximo e da comunidade. (Albrecht, 1979:9)

Estas preciosas qualidades adquirem-se no contacto entre as pessoas e não apenas nos livros de texto e através da especialização precoce. Isto é o que constitui, essencialmente, a cultura.

Entre os traços fundamentais de uma educação conta-se o desenvolvimento de uma consciência crítica nos jovens, um pensamento que conduza a uma vontade democrática. Perante isto, caberia questionar: a) se a crescente especialização implica o distanciamento dos cientistas e especialistas relativamente à filosofia; b) que contributo dão hoje os cientistas para o desenvolvimento de uma imagem efectivamente cientifica do mundo. (5)

Quanto melhor se entenda a relação entre cosmovisão, pensamento e conhecimento, tanto mais se facilitará a compreensão do devir histórico desta relação. “Mas o pensamento teórico” – apontava Engels na Dialéctica da Natureza – “não é uma qualidade inata, segundo a disposição. É preciso desenvolver, educar essa disposição e para tal educação não existe até hoje melhor recurso do que o estudo da filosofia. O pensamento teórico de cada época, e também o da nossa, é um produto histórico que adopta formas e conteúdos muito diferentes em tempos diferentes. A ciência do pensamento é, pois, como qualquer outra, uma ciência histórica, a ciência do desenvolvimento do pensamento humano”.

A linguagem, como terrorismo, dirige-se aos civis e gera medo, exerce violência simbólica ou psicológica. Produz efeitos que vão para além do significado. As palavras são como doses minúsculas de veneno que podemos engolir sem nos darmos conta. À primeira vista não parecem provocar efeito, mas ao fim de um tempo acaba por manifestar-se a reacção tóxica. “O homem é tão propenso ao efeito hipnótico dos lemas como às doenças contagiosas”, dizia Köestler. A mais letal das armas é a linguagem. Sem palavras nãoguerra

(5) A recente (2007) disposição governamental – de um Executivo auto-denominado socialistaque suprime a específica de Filosofia no final dos estudos pré-universitários em Portugal dir-nos-á muito sobre este crucial ponto sublinhado por Vicente Romano (NT).

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

QUE NINGUÉM FALTE!



Nesta corrida todos são necessários

dos especialistas nos cem metros aos que vão para além da maratona



sábado, 5 de setembro de 2009

Hombre que mira el cielo


Mario Benedetti


HOMEM QUE OLHA O CÉU

Enquanto passa a estrela fugaz

Junto neste desejo instantâneo

montões de desejos profundos e prioritários

por exemplo que a dor não me apague a raiva

que a alegria não desarme o amor

que os assassinos do povo devorem

seus molares caninos e incisivos

e mordam judiciosamente o próprio fígado

que as grades das prisões

se transformem em açúcar ou se curvem de piedade

e os meus irmãos possam fazer de novo

amor e a revolução

que quando enfrentarmos o implacável espelho

não o amaldiçoemos nem nos amaldiçoemos

que os justos avancem

ainda que imperfeitos e feridos

que avancem obstinados como castores

solidários como abelhas

aguerridos como jaguares

e empunhem todos os seus nãos

para instalar a grande afirmação

que a morte perca a sua asquerosa pontualidade

que quando o coração saia do peito

possa encontrar o caminho de regresso

que a morte perca a sua asquerosa

e brutal pontualidade

mas se chegar pontual não nos agarre

mortos de vergonha

que o ar volte a ser respirável e de todos

e que tu mocinha avances alegre e dolorida

pondo nos teus olhos a alma

e a tua mão na minha mão

e nada mais

porque o céu está turvo novamente

e sem estrelas

com helicópteros e sem deus.

Mário Benedetti


HOMBRE QUE MIRA EL CIELO

Mientras pasa la estrella fugaz

acopio en este deseo instantáneo

montones de deseos hondos y prioritarios

por ejemplo que el dolor no me apague la rabia

que la alegría no desarme mi amor

que los asesinos del pueblo se traguen

sus molares caninos e incisivos

y se muerdan juiciosamente el hígado

que los barrotes de las celdas

se vuelvan de azúcar o se curven de piedad

y mis hermanos puedan hacer de nuevo

el amor y revolución

que cuando enfrentemos el implacable espejo

no maldigamos ni nos maldigamos

que los justos avancen

aunque estén imperfectos y heridos

que avancen porfiados como castores

solidarios como abejas

aguerridos como jaguares

y empuñen todos sus noes

para instalar la gran afirmación

que la muerte pierda su asquerosa puntualidad

que cuando el corazón se salga del pecho

pueda encontrar el camino de regreso

que la muerte pierda su asquerosa

y brutal puntualidad

pero si llega puntual no nos agarre

muertos de vergüenza

que el aire vuelva a ser respirable y de todos

y que vos muchachita sigas alegre y dolorida

poniendo en tus ojos el alma

y tu mano en mi mano

y nada más

porque el cielo ya está de nuevo torvo

y sin estrellas

con helicóptero y sin dios.

Mario Benedetti

In El amor, las mujeres y la vida

domingo, 30 de agosto de 2009

Três bêbados e um discurso

TRÊS BÊBADOS E UM DISCURSO

“As gripes de verão são como certas maiorias absolutas, chegam não se sabe como, sofremo-las e vimo-nos aflitos para nos livrarmos delas”

(Pensamento entre dois espirros marca AH1N1.)

Na Azinhaga do Asno nem todos são burros, mas bêbados há pelo menos três. Não têm mau vinho, e a seu gosto escolhem os diferentes modos de se emborracharem, como é de rigor a uma democracia que se preze. Cada qual gosta do que gosta, ninguém tem nada com isso.

À mesa da tasca a conversa é de lamentações; mesmo os que bebem para esquecer não conseguem olvidar alguns dos seus problemas.

O bem enfarpelado queixa-se que o gelo no whisky lhe causava soluços. O bebedor de cerveja confessa que passou a enfrascar-se com “minis”, porque o médico o aconselhou a beber menos. O terceiro tem um grande desgosto em não saber a razão porque gosta só do tinto.

Os três comparsas olharam de soslaio para a televisão e assistiram à entrada em cena de um senhor muito bem penteado, e escanhoado a preceito, sentado a uma mesa que mais parecia um espelho, tendo à sua direita, entre outras, a bandeira portuguesa.

O bebedor de “minis” pensou que iam tocar o hino nacional e tentou pôr-se de pé sem resultado; o que só bebia tinto disse-lhe que era um reclame ao produto mágico que põe as mesas a brilhar; o do whisky achava que era publicidade sim, mas à brilhantina ou às lâminas e pincéis para a barba.

A câmara fez um grande plano do actor, este esboçou um sorriso complacente, deu as boas noites como qualquer um dos nossos vizinhos com quem não estivéssemos zangados, gentileza a que todos responderam educadamente, e cumpridas estas primeiras e primárias formalidades o homem foi directo ao que ali o trouxera:

“Caros amigos. Quando for Primeiro-ministro...”

Não conseguiram ouvir mais nada. A Dona Arminda armou um chinfrim com o peixeiro, um escarcéu de tal ordem que o esganiço da sua voz enchia a Azinhaga:

“Aldrabão! Vigarista! Vai levar mas é...”

O patrão da tasca, com o cabo da vassoura aumentou o som do televisor, ouviu-se ainda “maioria absoluta” mas o penteadinho não conseguia abafar a Dona Arminda.

“Isso querias tu.” Gritava; “apregoas vivinha-da-costa e só vendes peixe podre. Levas com uma solha no focinho que nunca mais apareces aqui na Azinhaga”.

O carteiro, acabado de chegar, tranquilizou-os dizendo-lhes que logo a seguir, e em vários telejornais os analistas iriam comentar tudo, e ensinar-nos como deveríamos compreender o que o homem estava dizendo.

Que não estivéssemos preocupados; que qualquer imbecil iria entender; que os senhores da televisão sabiam que havia muita gente bêbada e parva e por isso gastavam muito dinheiro para mandar explicar tudo muito bem explicadinho, não houvesse alguém que ousasse contestar o que afirmava sua excelência.

Mais tranquilos os três amigos foram dissertando sobre o pouco que ouviram. No entender do “Minis” todos os primeiros-ministros, tal como os primeiros-sargentos deviam usar farda, boné e galões para se distinguirem dos segundos e terceiros ministros.

O senhor do whisky estava apreensivo. Encomendou uma “água das pedras” e disse aos seus companheiros que tudo o que é absoluto é preocupante, principalmente quando se trata de poder absoluto ou de maiorias absolutas, onde se constrói o absolutismo em que os governados deixam de ser ouvidos.

Os outros não compreenderam lá muito bem, mas solidários preocuparam-se também.

Os analistas e comentadores encarregar-se-ão do resto.

O penteadinho terminou a arenga, despediu-se e saiu de cena enquanto os três em uníssono arrotavam.