domingo, 6 de fevereiro de 2011

Somos todos tunisinos

DECLARAÇÃO DE FUNDAÇÃO DA

FRENTE 14 DE JANEIRO DAS FORÇAS NACIONAIS, PROGRESSISTAS

E DEMOCRÁTICAS DA TUNÍSIA

PELO SOCIALISMO

Colocado em linha em: 2011/02/03

Tradução para castelhano de Hatem AK., para Corriente Roja

Para afirmar e assegurar a nossa participação na revolução do nosso povo, que lutou pelo seu direito à liberdade e à dignidade nacionaleste povo que deu centenas de mártires e milhares de feridos e detidos – e para completar e garantir a vitória contra os inimigos do interior e do exterior e aqueles que tentam fazer gorar os sacrifícios do povo, constituímos a “Frente 14 de Janeiro”, como marco político para promover e assegurar a revolução, até alcançar os seus objetivos, bem como para lutar e parar as forças da contrarrevolução; frente (e marco) que agrupa os partidos, forças e organizações nacionais, progressistas e democráticas.

Os seus objetivos e tarefas são:

1. A queda do atual governo de Ghanouchi ou de qualquer governo que inclua pessoas do anterior regime, que efetuaram as políticas antinacionais e ntipopulares e serviram os interesses do presidente derrubado.

2. Dissolver o partido do ex-presidente e confiscar as suas sedes, bens, ativos financeiros e fundos, porque são do povo.

3. A formação de um governo de transição que expresse a confiança do povo, das suas forças políticas progressistas e das suas organizações sociais, sindicais e juvenis.

4. A dissolução da câmara de representantes, dos assessores e de todas as instituições, do conselho superior da magistratura; o desmantelamento de toda a estrutura política do antigo regime e a preparação para a eleição de uma assembleia constituinte, para a elaboração de uma nova constituição democrática e um novo marco legal da vida pública, que garanta os direitos políticos, económicos e culturais do povo.

5. A dissolução da polícia política e a promulgação de uma nova política de segurança, que respeite os direitos humanos e as leis.

6. Pedir responsabilidades a todos aqueles que se demonstre que saquearam os bens do povo e contra ele cometeram crimes, como a repressão, o encarceramento, a tortura e as decisões, ordens e execução de assassinatos, assim como àqueles de quem se prove a suaconduta e má gestão da propriedade pública.

7. A expropriação dos bens de toda a família, das pessoas próximas e envolvidas de todos os responsáveis políticos que utilizaram a sua posição para enriquecerem à custa do povo.

8. Assegurar e gerar emprego para os desempregados e tomar medidas urgentes que garantam os subsídios de desemprego, a cobertura social e de saúde e melhorar o poder de compra do povo.

9. A construção de uma economia nacional ao serviço do povo, onde os setores vitais e estratégicos estejam sob o controlo do estado, a nacionalização de todas as empresas que foram privatizadas e a aplicação de uma política económica e social que rompa com a perspetiva capitalista e liberal.

10. O lançamento das liberdades públicas, individuais e, especialmente, a liberdade de manifestação, organização, expressão, de imprensa, informação e crença, bem como a libertação de todos os detidos e a promulgação da lei da amnistia.

11. A “Frente 14 de Janeiro” saúda o apoio das massas populares e das forças

progressistas do mundo árabe e de todo o mundo e apela a que o mantenham.

12. Rejeitar a normalização de relações com a entidade sionista e criminalizá-la e apoiar os movimentos de libertação nacional do mundo árabe e de todo o mundo.

13. A Frente apela às massas populares e às forças progressistas e patrióticas para

continuarem com as mobilizações e a luta, por todas as formas legítimas - especialmente, as manifestações nas ruas -, até se alcançarem os objetivos propostos.

14. A Frente saúda todas as comissões, associações e organizações populares e apela à ampliação do seu círculo de participação em todos os assuntos públicos e da vida diária e quotidiana.

GLÓRIA AOS MÁRTIRES DA INTIFADA E A VITÓRIA PARA AS

NOSSAS MASSAS POPULARES REVOLUCIONÁRIAS

Tunísia, 20 de janeiro de 2011

ASSOCIAÇÃO DE ESQUERDA – OS TRABALHADORES

MOVIMENTO UNIONISTA NASSERISTA

MOVIMENTO DOS NACIONALISTAS DEMOCRÁTICOS

NACIONALISTAS DEMOCRÁTICOS

CORRENTE BAASISTA

ESQUERDAS INDEPENDENTES

PARTIDO COMUNISTA OPERÁRIO DA TUNÍSIA

PARTIDO NACIONAL DE AÇÃO DEMOCRÁT

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

o 25 de Abril calou fundo...

(o 25 de Abril calou fundo no coração de todos os oprimidos)


Cortados aos quadradinhos e colocados junto às sanitas, os jornais de referência nem servem para limpar o cu. O povo não essa merda, como a classificava Fernando Pessoa. Os jornais de referência perderam de tal modo a credibilidade que são oferecidos como prospectos publicitários. Os jornais de referência acabam na reciclagem com os artigos dos politólogos, astrólogos e outros manhosos a soldo.

O descontentamento popular ignora os jornais de referência e as opiniões dos seus assalariados, essas bestas presumidas que se apresentam como politólogos, economistas ou analistas, vá saber-se der quê.

O telemóvel, mail, facebook ou o SMS que juntou em Madrid uma multidão que desmascarou Aznar, mandam às urtigas os jornais de referência, órgãos de intoxicação social pertença dos senhores do dinheiro.

Temos à nossa disposição as novas armas que tunisinos, egípcios e outros oprimidos manejam à perfeição.

“o mundo pula e avança


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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

NESTA HORA


NESTA HORA

Nesta hora limpa da verdade é preciso dizer a verdade toda

Mesmo aquela que é impopular neste dia em que se invoca o povo

Pois é preciso que o povo regresse do seu longo exílio

E lhe seja proposta uma verdade inteira e não meia verdade

Meia verdade é como habitar meia quarto

Ganhar meio salário

Como ter direito

A metade da vida

O demagogo diz da verdade a metade

E o resto joga com habilidade

Porque pensa que o povo pensa metade

Porque pensa que o povo não percebe nem sabe

A verdade não é uma especialidade

Para especializados clérigos letrados

Não basta gritar povo é preciso expor

Partir do olhar da mão e da razão

Partir da limpidez do elementar

Como quem parte do sol do mar do ar

Como quem parte da terra onde os homens estão

Para construir o canto do terrestre

-- Sob o ausente olhar silente de atenção

Para construir a festa do terrestre

Na nudez de alegria que nos veste

Sophia de Mello Brayner Andresen

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Menino Jesus

Este é o menino Jesus que me enternece e ilumina.


Vejo Nele todos os meninos Jesus que os abutres em festivo holocausto devoram pela fome.

O menino Jesus do jumento, do boi ou da vaquinha que o bafeja e aconchega nas palhinhas e é visitado pelos Reis Magos, esse menino Jesus que sonho para todas as crianças é o símbolo da hipocrisia que nos rege. É o enviado de um deus que promete a paz e o amor entre os Homens e nos mantém à beira do apocalipse.

Em cada cinco segundos um dos meus meninos Jesus morre de fome devorado pelos abutres que da fome alheia se alimentam.

Quem os poderá ignorar?




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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Com Fúria e Raiva



Com Fúria e Raiva

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o
seu capitalismo das palavras


Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs
sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O
homem soube de si pela palavra
E nomeou a
pedra a flor a água
E
tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da
palavra faz poder e jogo
E transforma as
palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra

Sophia de Mello Breyner Andresen

in "O Nome das Coisas"

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

País emparedado

Esta foi a leitura inteligente e oportuna feita por um amigo à fotografia que lhe enviei.



«Tal como esta excelente fotografia o novo país está emparedado e num caminho tortuoso sem fim à vista

E eu permito-me acrescentar:

“emparedado entre a corrupção e a ganância sem limites. O caminho seremos nós a desbravar”.

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