sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Roger Waters - Sumud (New Song, 2025)

 

"SUMUD" (Roger Waters)

 

Há uma palavra em árabe,

Sumud,

Que significa

Firmeza

Perseverança

Particularmente

Na resistência

À ocupação da sua terra natal

Eu só quero aquilo

Quando as vozes se unem em harmonia

E naquele momento fugaz

Quando o significado se funde ali

Toda a escuridão se dissolve

As nuvens não mais cobrem as ruelas

E o cheiro de pão fresco de casa

Permeia o ar

Sem solas de sandálias

Na poeira de casas destruídas

Sangue aparecendo na bainha da roupa

E todos os grandes desfiles

E choque e pavor

E arrogância no convés do porta-aviões

E medalhas tilintando impotentes

Diante do que é justo

Me dê um Oh Yeaaaaaaaaaah!

Sim! Me dê um Oh Yeaaaaaah!

Oh yeah Oh , Oh yeah

Dê-me um Oh Yeaaaaaaaah

Junte-se a nós, junte-se a nós em harmonia

Eu me lembro bem de você

Onde você estava, onde você caiu

Você foi brutalmente assassinada

Mas seu espírito permanece.

Rachel Corrie e Shireen Abu Akleh

Marielle Franco

Sophie Scholl

Ann Frank

Iman Al Hams

Muitas irmãs de muitas terras

Oh, minhas irmãs,

Ajudem-me a abrir os olhos delas

Lá de cima, na Penthouse

Devemos parecer formigas para elas

Acordem, filhos da puta

Somos mulheres e homens

Levantem-se sem vergonha

Meu coração sangrando

Me dêem um Oh Yeaaaaaaah.

Me dêem um Oh Yeaaaaaah.

Oh Yeah. Oh Yeah, Oh Yeah,

Me dê um Oh Yeaaaaah!

Junte-se a nós, junte-se a nós,

Junte-se a nós em harmonia.

E então, através da grande divisão,

Vêm homens e mulheres sem medo

De se lançar na perda

Suas pulseiras na parede

Quando as vozes se unem em harmonia

E viramos a última página

Quando o homem evoluir além da grosseria

E a razão amadurecer.

E o dogma

E a bruxaria

E a hipocrisia

E a propaganda

E a Palantir

E a Lockheed

E a Grumman

E a Chevron

E a Exxon

E a Pfizer

E os oligarcas e avarentos disserem

Desculpe por termos feito isso, mamãe

Só fizemos isso por

Porra de dinheiro

Oh sim, só por dinheiro

Oh sim, só por dinheiro.

Quando as vozes se unirem em harmonia

Faremos um som alegre

Seguiremos

Nossa própria bússola moral

Não deixaremos que seus truques nos enganem

Encontraremos dez mil novas vozes

Em cada multidão

E quando todas essas novas vozes

Se juntarem a nós em harmonia

De ombro a ombro

Do rio ao mar

Pessoas de todas as nações

Ouvirão esse som alegre

Pessoas comuns

Apenas defendendo seu espaço

E juntas

Essas pessoas comuns,

Juntas

Elas vão virar este navio.

Oh yeah

Juntas

Oh yeah

Juntas vamos virar este navio.

 

(Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com)

Assista e Ouça: Roger Waters - "Sumud" (New Song, 2025)

https://www.youtube.com/watch?v=K6dcS6SOYZc...

 (Roger Waters)

Durante um vídeo postado no YouTube para o W

Não me peçam Razões… - José Saramago |

Não me peçam Razões…

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir

José Saramago |

 

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Estigma - Ary dos Santos

 

Estigma

Filhos dum deus selvagem e secreto
E cobertos de lama, caminhamos
Por cidades,
Por nuvens
E desertos.
Ao vento semeamos o que os homens não querem.
Ao vento arremessamos as verdades que doem
E as palavras que ferem.
Da noite que nos gera, e nós amamos,
Só os astros trazemos.
A treva ficou onde
Todos guardamos a certeza oculta
Do que nós não dizemos,
Mas que somos.

 Ary dos Santos

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

DIZEM QUE A VERDADE É LOUCA - Adão Cruz

 

DIZEM QUE A VERDADE É LOUCA

                         

Dizem que verdade é louca

                         mas não é.

                         Ela apenas foge dos comedores de cabeças que todos os dias

                         entram dentro de nós.

                         Dizem que a verdade é louca

                         mas não é.

                         Ela apenas chora o rio de sangue de um bárbaro genocídio

                         fechado na indiferença dos brancos lençóis do nosso íntimo prazer.

                         Dizem que a verdade é louca

                         mas não é.

                         Ela apenas enfrenta os vampiros da mente, devoradores do

                         pensamento e da razão que ainda habitam alguns cantos e

                         esquinas da nossa cidade interior.

                         Dizem que a verdade é louca

                         mas não é.

                         Ela apenas grita de terror ao ver entrar tantos restos de vida pela

                         porta de saída para os abismos da dor.

                         Dizem que a verdade é louca

                         mas não é.

                         Ela apenas tenta estender os braços ao fim do mundo para acordar

                         do pesadelo a humanidade adormecida.

                         Loucos somos nós

                         apáticos e serenos

                         inundados de fé.

                         Sorrimos

                         bocejamos

                         e calmamente nos sentamos

                         todos os dias

                         cegos e mudos

                         à mesa do café.

 Adão Cruz

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Jorge de Sena “Hei-de ser tudo o que eles querem”

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“Hei-de ser tudo o que eles querem”

1

Hei-de ser tudo o que eles querem:
a raiva é toda de eu não ser um espelho
em que mirem com gosto os próprios cornos,
as caudas com lacinhos, e os bigodes
de chibos capripédicos.
Não sou nem sequer imagem.
Mas voz eu sou
que como agulha ou lança ou faca ou espada
mesmo que não dissesse da miséria
de lodo e trampa em que se espojam vis
só porque existe é como uma denúncia.
Hei-de ser tudo, não o sendo. Um dia
– podres na terra ou nos caixões de chumbo
estes zelosos treponemas lusos (1) –
uma outra gente, e limpa, julgará
desta vergonha inominável que é
ter de existir num tempo de canalhas
de um umbigo preso à podridão de impérios
e à lei de mendigar favor dos grandes.

2

De cada vez que um governo necessita de segredos,
por segurança do Estado
ou para melhor êxito
nas negociações internacionais,
é o mesmo que negar,
como negaram sempre desde que o mundo é mundo,
a liberdade.

Sempre que um povo aceita que o seu governo,
ainda que eleito com quantas tricas já se sabe,
invoque a lei e a ordem para calar alguém,
como fizeram sempre desde que o mundo é mundo,
nega-se
a liberdade.

Porque, se há algum segredo na vida pública
que todos não podem saber
é porque alguém, sem saber,
é o preço do negócio feito.
E se há uma ordem e uma lei que não inclua
mesmo que seja o último dos asnos e dos pulhas
e o seu direito a ser como nasceu ou o fizeram,
a liberdade
é uma farsa,
a segurança
é uma farsa,
a ordem é uma farsa,
não há nada que não seja uma farsa,
a mesma farsa representada sempre
desde que o mundo é mundo,
por aqueles que se arrogam ser
empresários dos outros
e nem pagam decentemente
senão aos maus actores.

Jorge de Sena

1) Treponemas – espécie de protozoários (seres vivos unicelulares) parasitas, do grupo das espiroquetas, que inclui o agente causador da sífilis (Dic. Porto Editora)

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Rosa de Hiroshima - Ney Matogrosso

Rosa de Hiroshima

 

Pensem nas crianças mudas, telepáticas
Pensem nas meninas cegas, inexatas
Pensem nas mulheres, rotas alteradas
Pensem nas feridas como rosas cálidas

Mas, ó, não se esqueçam da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária
A rosa radioativa, estúpida e inválida
A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica
Sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada

Compositor Gerson Conrad

Letra Vinícius De Moraes


terça-feira, 5 de agosto de 2025

MEUS IRMÃOS... - Nâzim Hikmet

 

MEUS IRMÃOS...

Meus irmãos
É preciso atrelar os nossos poemas
à charrua do boi magro
É preciso que este se enterre até aos joelhos
na vaza dos arrozais
É preciso que eles façam todas as perguntas
É preciso que recolham toda a luz
É preciso que os nossos poemas como marcos milenários
balizem as estradas
É preciso que sejam o sinal a anunciar a aproximação do adversário
É preciso que batam tambores na selva

E enquanto na terra houver um único país ou um único homem escravo
E enquanto no céu restar nem que seja uma única nuvem atómica
É preciso que os nossos poemas dêem tudo por tudo,
corpo e alma,
para a grande liberdade.

Nâzim Hikmet