quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Ao povo - José María Pino Suárez


Ao povo

Oh povo de vencidos e de ilotas
que em pura servidão te debates;
tu, a carne de todos os combates,
e o vingador de todas as derrotas!
Da história nas épocas remotas
sofres já da morte os embates,
e os tiranos sem vigor abates,
carregando a canga e as derrotas.


Al pueblo
¡Oh pueblo de vencidos y de ilotas
que en dura servidumbre te debates;
tú, la carne de todos los combates,
y el vengador de todas las derrotas!
De la historia en las épocas remotas
sufres ya de la muerte los embates,
y a los tiranos sin vigor abates,
uncido el cuello y las espaldas rotas.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Eu sei que a rota já virou - Cochat Osório

 
Eu sei que a rota já virou

Eu sei que a rota já virou;
a minha:
um último cansaço,
um último
impossível
esforço
do meu braço.

O corpo inteiriçado pra aguentar o leme.
A vela da ilusão tão retesada,
tão grávida de força,
que a nau é dominada.

O coração não teme.
Está tudo o que me resta,
a dor e a alegria,
a força e a esperança,
o tempo e a ansiedade,
está tudo acorrentado ao barco que protesta.


terça-feira, 21 de janeiro de 2020

ODE À REVOLUÇÃO - Vladimir Maiakovski


Vladimir Ilyich Ulianov --Vladimir Maiakovski

          (22 de abril de 1870 – 21 de janeiro de 1924)


 ODE À REVOLUÇÃO

Não devemos
nos derramar
em poços de lágrimas, –
Lenin
ainda
está mais vivo do que os vivos
É nosso saber –
nossa força e arma

O Partido e Lenin –
são irmãos gêmeos –
quem é mais
valioso do que a mãe-história?
Dizemos Lenin –
subentendemos –
Partido,
Dizemos
Partido,
subentendemos –
Lenin

Não é a vassoura
a arma é o fuzil.
Mil vezes
a mesma coisa
ele prega
no ouvido surdo
e amanhã
cada um erguerá
as mãos
as duas
que estenderam.
Ontem foram quatro,
hoje são quatrocentos.
Escondemo-nos,
mas amanhã
vamos de peito aberto,
e esses
quatrocentos
serão mil

Dessa bandeira
de cada dobra
novamente
vivo
Lenin conclama:
– Proletários,
formem-se
para a última batalha!
Escravos,
endireitem
as colunas e os joelhos!
Exército dos proletários,
levante-se esguio!
Viva a revolução,
radiante e veloz!
Essa –
é a única
grande guerra
de todas
que a história já viveu.

Marchem
para o deserto
mais ardido que o fogo!
Façam espuma
mais branca que o papel!
Começam
remendar com preto
os oásis
dos deleites com palmeiras.

As revoluções
Aumentam
após explosões dos levantes.
É severa
a insubmissão
dos burgueses enraivecidos.
Estraçalhadas por terrieres,
uivando e gemendo,
as sombras dos tataravós
comunardos de Paris,
agora também
resmungam
em parede parisiense:
- Ouçam, camaradas!
Vejam, irmãos!
Desgraça aos solitários
- aprendam connosco!.

Para os netos
Escrevo
numa folha
o retrato
genético do capitalismo.
O capitalismo
quando jovem
Era um rapaz
até interessante:
primeiro a trabalhar –
e não temia então,
que o trabalho
sujasse sua camisa.
O tricô feudal
lhe era estreito!
Cabia
tão bem
como cabe hoje.
O capitalismo
com revoluções
floresceu
em sua primavera
e até
cantava a ‘Marselhesa’.
Pensou e
Inventou
uma máquina.
Pessoas
e as outras também!
Ele,
pelo universo
a perder de vista
de operários,
procriou
filhos.
De vez
Reinados
e condados devorou
com suas coroas
e suas águias.

Marx!
surge aos olhos
das molduras do retrato grisalho.
Como
sua vida
está distante das imagens!
As pessoas
Veem
emparedado no mármore,
com gesso,
um velho gélido.
Mas quando
pela trilha revolucionária
os operários
davam
seu primeiro
passinho
oh, com que
incrível fornalha
Marx
Acendeu
seu coração
e sua ideia!.



Tradução de Zoia Prestes