quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

A GREVE - Júlio Saraiva

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A GREVE

(em solidariedade às companheiras e companheiros em greve)

a greve
é grave

a greve não teme
a chuva
e nem teme
que o trabalhador morra a fome

a fome é porca
e o trabalhador usa o pouco
que lhe resta
para cruzar os braços e parar


a greve pode - e deve - parar

Júlio Saraiva

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A GREVE DOS POETAS - Marcelino Freire

 

A GREVE DOS POETAS

Poetas em greve, sim.
Agora e já!

Por que não?

Não entraram os bancários?
Os ferroviários?
Os servidores do Estado?

É legítima nossa reivindicação.

Não viu, no Brasil?

Todo trabalhador
de braço cruzado.

Investigador e escrivão.
Coveiros sem enterros.
Policiais no Maranhão.

Poetas, avante, à luta,
é hora de união.

De coração parado,
em silêncio,
tomemos a multidão.

Mostremos que somos
uma categoria.

A cidade sem palavras,
nada de saraus na periferia.

A população pedirá
urgentemente
a nossa volta ao trabalho.

Tenho certeza,
bem sei.

Quem quer ver a poesia assim,
para sempre,
morta de uma vez?

Marcelino Freire

 

 

GREVE - Nivaldo Vanderlei Balla

GREVE
Uma imagem com texto, design gráfico, Gráficos, encarnado

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Greve é um mal necessário
Glória para os protagonistas
Muitas vezes efêmeras
E outras duradouras.
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Dos louros todos aproveitam
Os coadjuvantes são de aparecer
Quando tudo está terminado
Ao fitá-los ficam com cara de tacho.
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Esse é um momento diferenciado
O retrato com forma de derrota
Não olhe para a greve como brincadeira
Não se torne o rato que dá viva à ratoeira.
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Sinta alegria pela luta na tentativa
Não apenas pela vitória e consequência
De um movimento de classe organizada
Sempre lutar com determinação.
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Se perder, perca com classe
Caso venha a vitória, que seja com ousadia
O mundo só existe para quem se atreve
Já afirmei: vitória é apenas consequência.
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Escrevi algumas linhas nessa poesia
Sobre as indignações do dia a dia
De uma luta desigual onde somos servidores
Lutando contra os ditadores da democracia.
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É uma forma que consigo gritar em silêncio
Será que um dia alguém terá ouvidos para mim.

Nivaldo Vanderlei Balla

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

PALAVRA GREVE - Oswald Barroso

PALAVRA GREVE

 

Com gê

com vê se escreve

a palavra greve

 

com gê de guerra

com vê de vida

 

a palavra é lida

a palavra é livre

a palavra é breve.

 

A dizê-la

quem se atreve?

Quem bate

a boca atrevida?

 

Com lê

com dê se escreve

a palavra lida

 

com lê de luta

com dê de dia

 

a palavra é dita

a palavra é dura.

 

O seu peso

quem atura?

Quem se mata

sob a treva?

 

Com gê

com pê se escreve

a palavra paro

 

com gê de greve

com pê de pedra

 

a palavra é porta

a palavra é posta

a palavra é pista.

 

A fazê-lo

quem se arrisca?

Quem ousa

estancar a fábrica?

 

— Quem a move.

 

Quem ousa

parar a cidade?

 

— Quem a move.

 

Quem ousa

mudar o mundo?

 

— Quem o move

 

Com ê

com rê se escreve

a palavra greve

 

com ê de elo

com rê de rua

 

a palavra é tua.

 

Ao teu grito

quem recua?

 

— Que te mata.

 

Mata o medo

mágica palavra

pára a máquina

mostra a mão

que move o mundo

mede a força que dorme

mede o aço que ferve

no braço que se cruza.

 

Quem sabe o dom da palavra

é quem a usa.

 Oswald Barroso

Fortaleza, junho de 1979

 

Quero uma greve onde estejamos todos - Gioconda Belli



Quero uma greve onde estejamos todos.

Uma greve de braços, de pernas, de cabelos.

Uma greve nascendo em cada corpo.

Quero uma greve
De operários de pombas
De motoristas de flores
De técnicos de crianças
De médicos de mulheres

Quero uma greve grande,
Que até o amor alcance.

Uma greve onde tudo se detenha,
O relógio as fábricas
O seminário os colégios
O ônibus os hospitais
A estrada os portos.

Uma greve de olhos, de mão e de beijos.
Uma greve onde respirar não seja permitido,
Uma greve onde nasça o silêncio para ouvir os passos do tirano que se vai.

Gioconda Belli

 

 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A greve - Pablo Neruda

XIII

A greve

 

Estranha era a fábrica inativa.

Um silêncio na planta, uma distância

entre máquinas e homem, como um fio

cortado entre planetas, um vazio

das mãos do homem que consomem

o tempo construindo, e as desnudas

estâncias sem trabalho e sem um som.

Quando o homem deixou as tocas

da turbina, quando desprendeu

os braços da fogueira e decaíram

as entranhas do forno, quando tirou os olhos

da roda e a luz vertiginosa

se deteve em seu círculo invisível,

de todos os poderes poderosos,

dos círculos puros de potência,

da energia surpreendedora,

ficou um montão de inúteis aços

e nas salas sem homem, o ar viúvo,

o solitário aroma do azeite.

 

Nada existia sem aquele fragmento

batido, sem Ramírez,

sem o homem de roupa rasgada.

Lá estava a pele dos motores,

acumulada em morto poderio,

como negros cetáceos no fundo

pestilento dum mar sem ondulação,

ou montanhas escondidas de repente

sob a solidão dos planetas.

 

Pablo Neruda


(Canto Geral

 

sábado, 6 de dezembro de 2025

Greve Geral - César Príncipe

 

Greve Geral


Vamos falar de greve geral
Uma greve geral nunca é total
Imagina que todos fariam greve
Diz-nos O impossível para que serve
Sim Cumpre o possível É o teu dever
Não te desculpes para nada fazer
Hoje vamos falar de greve geral
Em qualquer local Aqui Em Portugal
quem não alinhe em greves gerais
Nem sequer adira a greves parciais
quem esteja contra as paralisações
Quando não são decretadas por patrões
Hoje vamos falar de greve geral
Esquece a tua greve imaginária
O capital marca greves todo o ano
Muito mais de 1 milhão não tem trabalho
Marca a nossa Fá-la tua Colabora
És uma peça do xadrez da vitória
Hoje vamos falar de greve geral
Mas de quem produz Da massa laboral
Não achas que é tempo de baixar os braços
Para levantar os salários baixos
Se não achas Fica a exigir a lua
Enquanto na terra a luta continua
Hoje vamos falar de greve geral
Não és trabalhador a trabalhar
Não resolves o teu caso no cantinho
Nem com medo Nem com sorte Nem sozinho
Sim Decide com quem estás e com quem vais
Os teus problemas são todos nacionais
Hoje vamos falar de greve geral
Contra o poder de explorar e amedrontar
Camarada Colega Amigo Aliado
Pára Escuta Tens mais força parado
Hoje fabricarás faixas e bandeiras
Megafones Coletes e braçadeiras
Hoje vamos falar de greve geral
Em qualquer local Aqui Em Portugal
Os piquetes são a tropa perfilada
O abraço antigo A conversa actualizada
Se me perguntarem de que lado estou
Direi Do lado que a História me ensinou
Hoje vamos falar de greve geral
É dia da pátria obreira e fraternal
Estou contigo Estás comigo Companheiro
Traz outro amigo Camarada verdadeiro
Viva a máquina do mundo e do progresso
Faço greve Ganho o meu dia Protesto
Sim Greve geral Cada vez mais geral
Fazem a guerra Querem paz social
Fica à porta da empresa e do Estado
Hoje não entres no sítio errado
Não piques o ponto da resigNação
um murro na mesa da enceNação
Sim Greve geral Cada vez mais geral
Em qualquer local Aqui Em Portugal
Viva a máquina do mundo e do progresso
Faço greve Ganho o meu dia Protesto

 

César Príncipe

 

 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Latinoamérica - Calle 13 (legendas em português)

 

Calle 13

 Soy, soy lo que dejaron
Soy toda la sobra de lo que se robaron
Un pueblo escondido en la cima
Mi piel es de cuero, por eso aguanta cualquier clima

Soy una fábrica de humo
Mano de obra campesina para tu consumo
Frente de frío en el medio del verano
El amor en los tiempos del cólera, mi hermano

El sol que nace y el día que muere
Con los mejores atardeceres
Soy el desarrollo en carne viva
Un discurso político sin saliva

Las caras más bonitas que he conocido
Soy la fotografía de un desaparecido
La sangre dentro de tus venas
Soy un pedazo de tierra que vale la pena

Una canasta con frijoles
Soy Maradona contra Inglaterra anotándote dos goles
Soy lo que sostiene mi bandera
La espina dorsal del planeta es mi cordillera

Soy lo que me enseñó mi padre
El que no quiere a su patria, no quiere a su madre
Soy América Latina
Un pueblo sin piernas, pero que camina, ¡oye!

Tú no puedes comprar al viento
Tú no puedes comprar al sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor

Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores

Tú no puedes comprar al viento
Tú no puedes comprar al sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor

Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores

Tengo los lagos, tengo los ríos
Tengo mis dientes pa' cuando me sonrío
La nieve que maquilla mis montañas
Tengo el sol que me seca y la lluvia que me baña

Un desierto embriagado con peyote
Un trago de pulque para cantar con los coyotes
Todo lo que necesito
Tengo a mis pulmones respirando azul clarito

La altura que sofoca
Soy las muelas de mi boca mascando coca
El otoño con sus hojas desmalladas
Los versos escritos bajo la noche estrellada

Una viña repleta de uvas
Un cañaveral bajo el sol en Cuba
Soy el mar Caribe que vigila las casitas
Haciendo rituales de agua bendita

El viento que peina mi cabello
Soy todos los santos que cuelgan de mi cuello
El jugo de mi lucha no es artificial
Porque el abono de mi tierra es natural

Tú no puedes comprar el viento
Tú no puedes comprar el sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor

Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores

Não se pode comprar o vento
Não se pode comprar o sol
Não se pode comprar a chuva
Não se pode comprar o calor

Não se pode comprar as nuvens
Não se pode comprar as cores
Não se pode comprar minha alegria
Não se pode comprar minhas dores

No puedes comprar el sol
No puedes comprar la lluvia
(Vamos caminando)
(Vamos caminando)
(Vamos dibujando el camino)
No puedes comprar mi vida (vamos caminando)
La tierra no se vende

Trabajo bruto, pero con orgullo
Aquí se comparte, lo mío es tuyo
Este pueblo no se ahoga con marullos
Y si se derrumba yo lo reconstruyo

Tampoco pestañeo cuando te miro
Para que te recuerde' de mi apellido
La Operación Cóndor invadiendo mi nido
Perdono, pero nunca olvido, ¡oye!

Aquí se respira lucha
(Vamos caminando) Yo canto porque se escucha
(Vamos dibujando el camino) Oh, sí, sí, eso
(Vamos caminando) Aquí estamos de pie
¡Qué viva la América!

No puedes comprar mi vida