quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Identidade - Miguel Torga

Identidade


Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que há no sofrimento.

Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Dá beleza e sentido a cada grito.

Mas como as inscrições nas penedias
Têm maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.

Miguel Torga
'Penas do Purgatório'


quarta-feira, 21 de agosto de 2019

MARÉ - SARAIVA BATARDA



MARÉ

E nascemos sem nós querermos,
E vivemos sem saber
A razão porque vivemos.
Onda desfeita no ar,
Esperança que brada em espuma
Contra a muralha de pedra
Dum desconhecido destino.
E a maré, vida em fermento,
Nunca cansa de bater
Contra esse muro de granito
Na ânsia de o desfazer.

SARAIVA BATARDA
(Poeta Moçambicano)

- É a única referência que tenho: Poeta Moçambicano.
  agradeço a quem me possa dar alguns elementos sobre este poeta.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Punho erguido Hino MST - Ademar Bogo


 
Punho erguido Hino MST


Vem, teçamos a nossa liberdade
braços fortes que rasgam o chão
sob a sombra de nossa valentia
desfraldemos a nossa rebeldia
e plantemos nesta terra como irmãos

Vem, lutemos punho erguido
Nossa Força nos leva a edificar
Nossa Pátria livre e forte
Construída pelo poder popular

Braço erguido, ditemos nossa história
sufocando com força os opressores
hasteemos a bandeira colorida
despertemos esta pátria adormecida
O amanhã pertence a nós trabalhadores

Nossa força resgatada pela chama
da esperança do triunfo que virá
forjaremos desta luta com certeza
pátria livre operária camponesa
nossa estrela enfim triunfará!

 Letra de Ademar Bogo, música de Willy C. de Oliveira


Símbolo de classe. No ventre da injustiça gerar onde quer que surge e acompanha e
«O punho erguido (também conhecido como o punho cerrado) é um símbolo de solidariedade e apoio.[1] Também é utilizado como uma saudação para expressar unidade, força, desafio ou resistência. A saudação remonta a antiga Assíria como um símbolo de resistência em face da violência. É usado principalmente por ativistas de esquerda, tais como: marxistas, anarquistas, comunistas e pacifistas

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Segunda-feira - Primo Levi

Segunda-feira

O que é mais triste que um comboio?
Que parte quando deve partir,
Que tem somente uma voz,
Que tem somente um caminho.
Nada é mais triste que um comboio.
Ou talvez um burro de carga.
Está preso entre duas barras
E não pode olhar para o lado.
Sua vida é só caminhar.
E um homem? Não é triste um homem?
Se vive há muito em solidão,
Se acha que o tempo terminou,
Um homem também é coisa triste.

Para comemorar o centenário de nascimento de Primo Levi, a Editora Todavia lança o livro “Mil Sóis — Poemas Escolhidos”. A tradução é do experimentado Maurício Santana Dias, professor da Universidade de São Paulo. A edição é bilíngue.