«Hás
de saber morrer pelos homens.
E
além disso por homens que se calhar nunca viste,
E
além disso sem que ninguém te obrigue a fazê-lo,
E
além disso sabendo que a coisa mais real e bela é
Viver.»
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Escreveria
panfletos sátiras libelos seria o inimigo o subversivo o foragido o perseguido o réprobro conheceria tribunais esconderijos cárceres sentiria a fome e o cansaço teria no corpo a tatuagem marcada das torturas policiais. Era para eu ser panfletário. O magnífico e heróico destino que eu imaginava tão liricamente ser o meu venceram-no a prudência o temor a família venceu-o este meu outro real e melancólico destino burocrático... Era para eu ser panfletário. Não o fui e ainda me dói o desejo de o ser... Mas agora com o resíduo do tempo tingindo de branco os meus cabelos gotejando doloroso nos meus ossos é tarde demais para a magnífica aventura... Era para eu ser panfletário. |