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Orson Welles (que faz o papel de diretor de cinema no filme La Ricotta de Pier Paolo Pasolini) lê o poema de Pasolini a um jornalista. Episódio do filme coletivo Relações Humanas de Roberto Rossellini, Jean-Luc Godard, Pier Paolo Pasolini e Ugo Gregoretti. Em La Ricotta Stracci representa um personagem icônico da fome do terceiro mundo, num jogo de metalinguagem, no qual um diretor marxista (Orson Welles) realiza um filme na periferia de Roma baseado na Paixão de Cristo.
Este é o icónico poema "A Força do Passado" ("Io sono una forza del Passato"), escrito em 1964 por Pier Paolo Pasolini. Ele descreve-se como um "feto adulto" e um "monstro":
Eu sou uma força do Passado
Eu sou uma força do Passado.
Só na tradição está o meu amor.
Venho das ruínas, das igrejas,
Dos retábulos, das aldeias
Abandonadas sobre os Apeninos e os Pré-alpes
Onde viveram os irmãos.
Percorro a Tuscolana como um doido,
Pela Ápia como um cão sem dono.
Tanto contemplo o crepúsculo, a aurora
Sobre Roma, sobre a Ciociaria, sobre o mundo
Como os primeiros actos da Pós-memória
A que assisto, por privilégio censitário
Da orla extrema de qualquer idade
Sepulta. Monstruoso quem é nascido
De vísceras de mulher morta.
E eu, feto adulto, cirando,
O mais moderno de todos os modernos,
Procurando irmãos que o não são mais.
Pier Paolo Pasolini in Poesia in forma di rosa
versão de Manuel Anastácio
Io sono una forza del Passato
Pier Paolo Pasolini
Io sono una forza del Passato.
Solo nella tradizione è il mio amore.
Vengo dai ruderi, dalle chiese,
dalle pale d’altare, dai borghi
abbandonati sugli Appennini o le Prealpi,
dove sono vissuti i fratelli.
Giro per la Tuscolana come un pazzo,
per l’Appia come un cane senza padrone.
O guardo i crepuscoli, le mattine
su Roma, sulla Ciociaria, sul mondo,
come i primi atti della Dopostoria,
cui io assisto, per privilegio d’anagrafe,
dall’orlo estremo di qualche età
sepolta. Mostruoso è chi è nato
dalle viscere di una donna morta.
E io, feto adulto, mi aggiro
più moderno di ogni moderno
a cercare fratelli che non sono più.
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