quarta-feira, 30 de setembro de 2026

METRO - António Osório

 

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METRO

Perto tinha de si

gente exausta

e livremente

contemplava

tantos rostos,

tanto desespero.

 

Nas mulheres do campo

batia o seu coração

para ajudá-las na saída:

e pelos olhos dos namorados

pedia licença

de passar

como um Inca pelos rios.

 

Era moço de recados,

servente, outra vez criança

num comboio

canceroso

que vai para o hospital,

o aleijado que estende

ali a mão,

soldado que se despede,

emigrante que regressa

mais humilhado.

 

E gota infortunada

ou lágrima

escondida

ao lado do seu povo.

 

António Osório

“Poemas do livro” A Luz Fraterna – Poesia Reunida (1965 – 2009)

 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Rubai 2 . - Omar Khayyam

  

Rubai 2

Que vale mais? Fazer exame de consciência
Sentado na taberna, entre plebeus,
Ou na mesquita, em ampla reverência
À hipócrita caterva
dos fariseus?
Não desejo saber se tenho um deus
E o destino que acaso me reserva.

Omar Khayyam


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A Gente Vai Continuar - Jorge Palma

  

A Gente Vai Continuar


Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem á batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Jorge Palma