S.O.S.
Aqui no
Equador,
ferida da terra,
osso pelado
pelo vento e pelos cães.
Aqui, sangue sendo sugado na areia,
pedras desabando sobre nós.
Aqui,
montanhas com seus ventres saqueados,
mar
com seus peixes alheios.
Aqui,
fome,
índios sendo chutados como bestas,
desertos bravos,
pele exposta às intempéries.
Aqui,
nossa própria terra
não nos pertence;
nada é nosso,
nossa própria água
vendem em garrafas,
o pão custa os olhos da cara
e até para morrer
temos que pagar impostos.
No ar,
em meio ao sono,
no bocado interrompido
do almoço,
estão cavando buracos
para que caiamos.
Aqui,
em breve um fuzil
para espantar os corvos.