segunda-feira, 20 de julho de 2026

AVÉ, LIBERDADE!... - ADELINO VEIGA

 

Uma imagem com texto, esboço, Cara humana, retrato

Os conteúdos gerados por IA poderão estar incorretos.

AVÉ, LIBERDADE!...

Amei tudo quanto vi
Em liberdade viver;
Tomei ódio á tirania
Jurei guerra ao seu poder.

Pois se nem o mar quer peias,
Pois se é livre o rijo vento,
E livre é o pensamento,
Há-de um homem q'rer cadeias?!...
Oh! não!... que o sangue das veias
Também é livre por si! ...
Liberdade! ...eu conheci
Quanto o teu poder encanta!...
Por ver que és tão boa e santa
Amei tudo quanto vi!...

O mundo inteiro gemia
Debaixo de um jugo bravo,
Tu surgiste, e o povo escravo
Livre olhou a luz do dia!...
Na treva mais que sombria
A maldade foi morrer
E os negros dentes ranger
Blasfémias mandando aos céus,
Por ver os filhos de Deus
Em liberdade viver!...

A tirania é horrível,
Só quer luto, fogo e sangue;
Ceva na vítima exangue
A sua fúria terrível!
Oh! nada há mais temível
Nos males que o inferno cria,
Nem há fera mais bravia
Do que essa hidra feroz!...
Por ela ser mãe do algoz
Tomei ódio à tirania!...

Quando o assassino Caim
Matou seu irmão Abel,
Plantou na terra a cruel
Tirania tão ruim;
E herdeira cruel, assim
Soube ela o crime exercer
'Té no mundo aparecer
A Divina Liberdade,
Que lhe disse: Oh! impiedade!
Jurei guerra ao teu poder...

ADELINO VEIGA

quarta-feira, 15 de julho de 2026

S.O.S. - Euler Granda

Euler Granda, Ecuador - Festival Internacional de Poesía de Medellín


S.O.S.

Aqui no Equador,
ferida da terra,
osso pelado
pelo vento e pelos cães.
Aqui, sangue sendo sugado na areia,
pedras desabando sobre nós.
Aqui,
montanhas com seus ventres saqueados,
mar
com seus peixes alheios.
Aqui,
fome,
índios sendo chutados como bestas,
desertos bravos,
pele exposta às intempéries.
Aqui,
nossa própria terra
não nos pertence;
nada é nosso,
nossa própria água
vendem em garrafas,
o pão custa os olhos da cara
e até para morrer
temos que pagar impostos.
No ar,
em meio ao sono,
no bocado interrompido
do almoço,
estão cavando buracos
para que caiamos.
Aqui,
em breve um fuzil
para espantar os corvos.

Euler Granda