domingo, 3 de maio de 2026

Le Chant Des Ouvriers por Marc Ogeret

 

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Le Chant Des Ouvriers

Nous, dont la lampe, le matin,
Au clairon du coq se rallume;
Nous tous, qu'un salaire incertain
Ramene avant l'aube a l'enclume;
Nous, qui des bras, des pieds, des mains.
De tout le corps, luttons sans cesse,
Sans abriter nos lendemains
Contre le froid de la vieillesse,

Aimons-nous, et quand nous pouvons
Nous unir pour boire a la ronde,
Que le canon se taise ou gronde,
          Buvons
A l'independance du monde!

Nos bras, sans relache tendus,
Aux flots jaloux, au sol avare,
Ravissent leurs tresors perdus,
Ce qui nourrit et ce qui pare:
Perles, diamants et metaux,
Fruit du coteau, grain de la plaine.
Pauvres moutons, quels bons manteaux
Il se tisse avec notre laine!

Aimons-nous, et quand nous pouvons
Nous unir pour boire a la ronde,
Que le canon se taise ou gronde,
          Buvons
A l'independance du monde!

Quel fruit tirons-nous des labeurs
Qui courbent nos maigres echines?
Ou vont les flots de nos sueurs?
Nous ne sommes que des machines.
Nos Babels montent jusqu'au ciel,
La terre nous doit ses merveilles!
Des qu'elles ont fini le miel
Le maitre chasse les abeilles.

Aimons-nous, et quand nous pouvons
Nous unir pour boire a la ronde,
Que le canon se taise ou gronde,
          Buvons
A l'independance du monde!

Mal vetus, loges dans des trous,
Sous les combles, dans les decombres,
Nous vivons avec les hiboux
Et les larrons, amis des ombres:
Cependant notre sang vermeil
Coule impetueux dans nos veines;
Nous nous plairions au grand soleil,
Et sous les rameaux verts des chenes!

Aimons-nous, et quand nous pouvons
Nous unir pour boire a la ronde,
Que le canon se taise ou gronde,
          Buvons
A l'independance du monde!

A chaque fois que par torrents
Notre sang coule sur le monde,
C'est toujours pour quelques tyrans
Que cette rosee est feconde;
Menageons-le dorenavant,
L'amour est plus fort que la guerre;
En attendant qu'un meilleur vent
Souffle du ciel ou de la terre,

Aimons-nous, et quand nous pouvons
Nous unir pour boire a la ronde,
Que le canon se taise ou gronde,
          Buvons
A l'independance du monde!

sábado, 2 de maio de 2026

A Greve dos Controladores de Voo - Jorge Sousa Braga

  

(OUVIR »»» A Greve dos Controladores de Voo

Todos aqueles que nos primeiros dias de Março
perscrutavam atentamente o céu
ficaram desapontados,
este ano, as andorinhas
chegarão atrasadas
devido a uma greve dos controladores aéreos.
Um homem que se passeava nu na Praça de S. Marcos em Veneza
foi salvo no último momento de ser preso por atentado ao pudor
por um bando de pombas
que o vestiram completamente de branco.
Um indivíduo de pele verde
e de olhos doirados
penhorou o anel de Saturno numa ourivesaria da Baixa
tendo-o reavido dois meses depois.
Os seus olhos não tinham mudado de cor,
confirma o gerente.
Resolvido o enigma do sorriso da Gioconda
um dos meninos do Botticelli
surpreendeu-a de noite com um dedo
acariciando o baixo ventre.
Um levantino apaixonou-se pelo crepúsculo
e estabeleceu aí residência permanente,
vive agora num avião
que se desloca em sentido inverso
ao da rotação da terra.
As autoridades marítimas
investigam o misterioso desaparecimento da linha do horizonte
ao longo de toda a costa atlântica.
As demoiselles d´Avignon foram surpreendidas
numa rusga da polícia
nas imediações do Museu do Louvre.
Um homem disfarçado de arco-íris
assaltou em pleno dia uma agência bancária
mesmo no centro da cidade,
alvejado a tiro na perseguição que depois lhe foi movida pela polícia,
desfez-se numa bátega de chuva.
Um tufão chamado Marilyn varreu recentemente uma das ilhas do Japão
tendo deixado um rasto de inúmeros cabelos loiros
presos nas árvores.
A grande atração do circo que se exibe na cidade é uma pomba
que não se cansa de tirar mágicos
com chapéus de coco debaixo das asas.
Um homem que se propusera pintar o Monte Branco de azul
e que para o efeito comprara várias latas de tinta e um pincel
desapareceu no meio de um violento nevão.
Passara quarenta anos de binóculos assestados
a seguir as migrações das aves
e a tomar estranhos apontamentos num caderno
a última vez que foi visto
voava a meia altura em direção ao sul,
levaram-no ao serviço de urgência
perdera a fala subitamente,
o médico que o assistiu veio a apurar que
ligara as cordas vocais entre si
para conseguir escapar da sua prisão interior.
Notícias da última hora:
depois de satisfeitas as principais reivindicações
foi levantada às dezoito horas tmg
a greve dos controladores de voo

Jorge Sousa Braga
in A Greve dos Controladores de Voo (1984)


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Primeiro de Maio - Domingos da Mota

  

 1º de Maio.

Primeiro de Maio

                  Tanta bandeira
                        vermelha
                        Teresa Horta


Tanta bandeira
vermelha
tanto sol
quanta alegria
tanta gente
nova e velha

ombro a ombro
de mãos dadas
rua afora
neste dia.
Fosse agora
como outrora

maré alta
um mar de gente:
tanta bandeira
vermelha
a drapejar
livremente.

Domingos da Mota