terça-feira, 25 de agosto de 2026

O medo global - Eduardo Galeano

Eduardo Galeano 

O medo global

Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.

E os que não trabalham têm medo de nunca mais encontrar trabalho.

Quem não tem medo da fome, tem medo da comida.

Os automobilistas têm medo de conduzir e os peões têm medo de serem atropelados.

A democracia tem medo de recordar e a linguagem tem medo de dizer.

Os civis têm medo dos militares. Os militares têm medo da falta de armas.

 As armas têm medo à falta de guerra.

É o tempo do medo.

Medo da mulher à violência do homem e medo do homem à mulher sem medo.

Medo aos ladrões e medo à polícia.

Medo à porta sem fechadura.

 Ao tempo sem relógios.

À criança sem televisão.

 Medo à noite sem comprimidos para dormir e à manhã sem comprimidos para acordar.

Medo à solidão e medo à multidão.

Medo do passado.

Medo do futuro.

Medo de morrer.

Medo de viver.

Eduardo Galeano

EL MIEDO GLOBAL 

Los que trabajan tienen miedo de perder el trabajo.

Y los que no trabajan tienen miedo de no encontrar nunca trabajo.

Quien no tiene miedo al hambre, tiene miedo a la comida.

Los automovilistas tienen miedo a caminar y los peatones tienen miedo de ser atropellados.

La democracia tiene miedo de recordar y el lenguaje tiene miedo de decir.

Los civiles tienen miedo a los militares. Los militares tienen miedo a la falta de armas.

Las armas tienen miedo a la falta de guerra.

Es el tiempo del miedo.

Miedo de la mujer a la violencia del hombre y miedo del hombre a la mujer sin miedo.

Miedo a los ladrones y miedo a la policía.

Miedo a la puerta sin cerradura.

Al tiempo sin relojes.

Al niño sin televisión.

Miedo a la noche sin pastillas para dormir y a la mañana sin pastillas para despertar.

Miedo a la soledad y miedo a la multitud.

Miedo a lo que fue.

Miedo a lo que será.

Miedo de morir.

Miedo de vivir.

 

Eduardo Galeano

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

روشن (Horizonte Brilhante)» por Ahmad Shamlou (احمد شاملو)

  

Horizonte Brilhante

Algum dia, encontraremos nossas pombas
E a bondade dará as mãos com a beleza
Neste dia, o menor dos ruídos será o de um beijo
E todo ser humano,
será um irmão para o outro ser humano
Neste dia, as portas das casas não serão trancadas
Os cadeados serão apenas lenda
E o coração será suficiente para viver
O dia em que o significado de todo discurso será amar
Então ninguém precisará buscar o significado desta palavra
O dia em que a melodia de toda palavra será a vida
E eu não sofrerei para buscar a rima certa para cada poema
O dia em que cada lábio cantará uma canção
E o menor dos ruídos será o de um beijo
O dia em que virás para sempre
E a bondade será igual a beleza
O dia em que atiraremos sementes para as pombas
E eu espero por este dia
Mesmo que neste dia eu já não esteja aqui

Ahmad Shamlou

TRADUÇÃO DE: JANAÍNA ELIAS

POEMA:

 

“Bright Horizon”
.
Bright horizon
Some day we will find our doves
Kindness will take Beauty by the hand
.
That day – the least song will be a kiss
and every human being be brother to
every other human being
.
That day – house doors will not be shut
Locks will be but legends
And the Heart be enough for Living
.
The day – that the meaning of all speech is loving
so one won’t have to search for meaning down to the last word
The day – that the melody of every word be Life
and I won’t be suffering to find the right rhythm for every last poem
.
That day – when every lip is a song
and the least song will be a kiss
That day – when you come – when you’ll come forever –
and Kindness be equal to Beauty
.
The day – that we toss seeds to the doves…
and I await that day
even if upon that day I myself no longer be.

TRADUÇÃO DE H POETA: احمد شاملو AHMAD SHAMLU / A. Bamdad ( ا. بامداد )

Ahmad Shamlou (احمد شاملو) também conhecido sob o pseudônimo A. Bamdad ( ا. بامداد ) nasceu Hamedan, Irã, em 12 de dezembro de 1925 – Morreu em Karaj, Irã em 23 de julho de 2000) foi um poeta, escritor e jornalista iraniano. Shamlou foi sem dúvida o poeta mais influente do Irã moderno. Sua poesia inicial foi influenciada por e na tradição de Nima Youshij. A poesia de Shamlou é complexa, mas suas imagens, que contribuem significativamente para a intensidade de seus poemas, são simples. Wikipedia