sábado, 27 de junho de 2026

José Carlos Ary dos Santos - AO CABO DE CABO VERDE

 

 

AO CABO DE CABO VERDE

Ao cabo de Cabo Verde

dobrado o cabo da guerra

quando o mar sabia a sede

e o sangue sabia a terra

acabou por ser mais forte

a esperança perseguida

porque aconteceu a morte

sem que se acabasse a vida.

Ao cabo de Cabo Verde

no campo do Tarrafal

é que o futuro se ergue

verde-rubro Portugal

é que o passado se perde

na tumba colonial,

ao cabo de Cabo Verde

não morreu o ideal.

Entre o chicote e a malária

entre a fome e as bilioses

os mártires da classe operária

recuperam suas vozes.

E vêm dizer aqui

do cabo de Cabo Verde

que não morreram ali

porque a esperança não se perde.

Bento Gonçalves torneiro

ainda trabalhas o ferro

deste povo verdadeiro

sem a ferrugem do erro.

Caldeira de nome Alfredo

fervilham no teu caixão

contra o ódio e contra o medo

gérmens de trigo e de pão.

E tu também Araújo

e tu também Castelhano

e também cada marujo

que morreu a todo o pano.

Todos vivos! Todos nossos!

vinte trinta cem ou mil

nenhum de vós é só ossos

sois todos cravos de Abril!

No campo do Tarrafal

no sítio da frigideira

hasteava Portugal

a sua maior bandeira.

Bandeira feita em segredo

com as agulhas das dores

pois o tempo do degredo

mudava o sentido ás cores:

o verde de Cabo Verde

o chão da reforma agrária

e o Sol vermelho esta sede

duma água proletária.

Do cabo de Cabo Verde

chegam tão vivos os mortos

que um monumento se ergue

para cama dos seus corpos.

Pois se o sono é como o vento

que motiva um golpe de asa

é a vida o monumento

dos que voltaram a casa.

José Carlos Ary dos Santos

Imagem: Cortejo da trasladação dos corpos dos tarrafalistas (1978) - União de Resistentes Antifasci (poema feito quando da trasladação para Portugal dos restos mortais dos 32 resistentes assassinados no Tarrafal)

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Roger Waters & Mona Miari

  – Comfortably Numb Re-Imagined

Ouvir»» https://youtu.be/CJmMGMm8YVw?si=3A16uElAhzNoqg_z

 

- Olá

Há alguém aí dentro?

Bata apenas se me consegue ouvir

Há alguém em casa?

Através do mar

um navio distante no horizonte

está chamando

você e eu

-(do árabe) Quando eu era jovem sonhava com libertação

A esperança arde intensamente em tudo o que sou

Como as raízes rompendo por entre os escombros

Nós traçamos o nosso destino

A nossa luz vai romper a escuridão

Nós somos a promessa de um novo amanhecer

Eu nunca ficarei confortavelmente entorpecida

- A Palestina será livre

- E livres permaneceremos

Eu cruzaria o oceano apenas para salvar uma oliveira

- Com direitos iguais para todos

- Mesmo se exilados da terra ao céu

- Do rio ao mar

Nosso destino, nossa pátria

 

PALESTINA

 

- O sol vai nascer novamente ?