METRO
Perto tinha de si
gente exausta
e livremente
contemplava
tantos rostos,
tanto desespero.
Nas mulheres do campo
batia o seu coração
para ajudá-las na saída:
e pelos olhos dos namorados
pedia licença
de passar
como um Inca pelos rios.
Era moço de recados,
servente, outra vez criança
num comboio
canceroso
que vai para o hospital,
o aleijado que estende
ali a mão,
soldado que se despede,
emigrante que regressa
mais humilhado.
E gota infortunada
ou lágrima
escondida
ao lado do seu povo.
“Poemas do livro” A Luz Fraterna – Poesia Reunida (1965 – 2009)
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