quarta-feira, 30 de setembro de 2026

METRO - António Osório

 

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METRO

Perto tinha de si

gente exausta

e livremente

contemplava

tantos rostos,

tanto desespero.

 

Nas mulheres do campo

batia o seu coração

para ajudá-las na saída:

e pelos olhos dos namorados

pedia licença

de passar

como um Inca pelos rios.

 

Era moço de recados,

servente, outra vez criança

num comboio

canceroso

que vai para o hospital,

o aleijado que estende

ali a mão,

soldado que se despede,

emigrante que regressa

mais humilhado.

 

E gota infortunada

ou lágrima

escondida

ao lado do seu povo.

 

António Osório

“Poemas do livro” A Luz Fraterna – Poesia Reunida (1965 – 2009)

 

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