Abril 74/Abril 24
Vozes que vazaram onde vão, diz um poeta
de outrora seu eco desaguando neste texto.
Estamos no olho do furacão no tempo errado?
Abril é memória convulsiva e dizes
“Onde vão as vozes que vazaram”
repetindo outra era, outro pó e outro estado
Na fotografia antiga um soldado no largo
onde tanques mergulhados estavam por
uma multidão sanguínea, crianças com flores
de paz despediam-se dum tempo escuro e frio
Abril tinha ainda no rio as formas trágicas e
heróicas e era uma porta aberta ao dia claro
Mas quem cerrou o tempo ao ido grito
de uma esperança refractada?
Abril de mil novecentos e setenta e quatro
guardo como uma idade mágica não vivida
mas sentida ao longo destes anos em que nada
o teu calor intempestivo pode apagar
Ó vozes que vieram na vazante – a nossa vida
(a nossa – os que depois de vocês, nascidos
para o dia lusíada e não reencontrado) –
em nós Abril é a voz carnal
um fogo posto no país amado
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