domingo, 13 de maio de 2012
LVCÍADAS - César Príncipe
domingo, 29 de abril de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
QUANDO OS TRABALHADORES PERDEREM A PACIÊNCIA
Mauro Iasi Professor da UFRJ
QUANDO OS TRABALHADORES PERDEREM A PACIÊNCIA
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juízes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obsolescência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
“declaro vaga a presidência”!
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Eugénio de Andrade a Vasco Gonçalves

"a Vasco Gonçalves”
Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.
Quem conheça o sul e a sua transparência
também sabe que no verão pelas veredas
da cal a crispação da sombra caminha devagar.
De tanta palavra que disseste algumas
se perdiam, outras duram ainda, são lume
breve arado ceia de pobre roupa remendada.
Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão
era morada e instrumento de alegria.
Esse eras tu: inclinação da água. Na margem
vento areias lábios, tudo ardia."
Eugénio de Andrade
sábado, 14 de abril de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
o céu das gruas
fernando castro branco
(miranda do douro), 1959
o céu das gruas
Lázaro Inocêncio do Nascimento,
manobrador de gruas na auto-estrada
transmontana sai do túnel do Marão
para a negra luz do desemprego
e das carências em família. Manobrou
com perícia a cegonha de ferro no céu
da montanha, dialogou com Deus
e com os pássaros sociáveis; olhou
para o fundo de si e concluiu que na terra
ou nas nuvens a vida é sempre abismo
onde a altura é uma questão menor. Hoje
desceu de vez as escalas íngremes,
findou a concessão do troço e do capital,
agora está entregue a si que o mesmo é dizer
ao destino de ninguém. Lázaro
Nascimento diz que com esta descida
à terra morreu um pouco, e assim à terra
descerá definitivamente em tempo certo
sem estranheza de maior . Não carece
pois o Mestre o ressuscitar por mais
que alastre o pranto das irmãs
e os direitos da quadra. Na ferrugem
definitiva dos materiais o sinal perene
de que não vale a pena o esforço
de retirar os panos uma e outra vez.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Armando Silva Carvalho
Já não vejo o som mas só a lama
E acelero.
Quero atravessar este país depressa
Antes da morte.
Já não oiço a luz mas só o sono
E travo
Contigo, com os teus freios cansados
E as tuas jantes tortas.
Sigo esta pista de silêncio
E arrabalde de velhos.
Arrastamos connosco a história cega
E acrobata deste tempo.
Chamo a tudo isto uma gincana
Nas traseiras da Europa
Já não viajamos, vamos em ponto morto
E a meta é ali
Desperta.
.
in O Amante Japonês, p.36




