segunda-feira, 25 de abril de 2016

"A Invenção do Amor" de e por Daniel Filipe

Recordar o fascismo em Abril 
Filme e Poema
Recordar o fascismo em Abril

sábado, 23 de abril de 2016

ABRIL ABRIL - Vasco Costa Marques

ABRIL ABRIL

Abril Abril Abril novo
Riso aberto na cidade
Porta de passar o povo
Águas mil de Liberdade
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As portas que Abril abriu
viram coisas do Diabo
Mouro não saiu nenhum
mas entrou muito ladrão
a gritar por Santiago
----
As portas que Abril abriu
são portuguesas castiças
Nunca mais levaram tinta
nem óleo nas dobradiças

Vasco Costa Marques

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Poema de Abril - Sidónio Muralha


A farda dos homens
voltou a ser pele
(porque a vocação
de tudo o que é vivo
é voltar às fontes).
Foi este o prodígio
do povo ultrajado,
do povo banido
que trouxe das trevas
pedaços de sol.
Foi este o prodígio
de um dia de Abril,
que fez das mordaças
bandeiras ao alto,
arrancou as grades,
libertou os pulsos,
e mostrou aos presos
que graças a eles
a farda dos homens
voltou a ser pele.
Ficou a herança
de erros e buracos
nas árduas ladeiras
a serem subidas
com os pés descalços,
mas no sofrimento
a farda dos homens
voltou a ser pele
e das baionetas
irromperam flores.
Minha pátria linda
de cabelos soltos
correndo no vento,
sinto um arrepio
de areia e de mar
ao ver-te feliz.
Com as mãos vazias
vamos trabalhar,
a farda dos homens
voltou a ser pele.

Sidónio Muralha
Poemas de Abril. Lisboa : Prelo, 1974

quarta-feira, 20 de abril de 2016

ABRIL MAIS TARDE - Vasco Costa Marques



(foto Eduardo Gajeiro)

ABRIL MAIS TARDE

As portas que Abril abriu
foram fechando fechando
Martim Moniz entalado
suor e sonho sangrando
lentamente a sangue frio

Sobe um rastejar de ratos
calmas canoas no rio?

Vasco Costa Marques