quarta-feira, 22 de abril de 2026

DE “V INTERNACIONAL” - Vladimir Maiakóvski

 

DE “V INTERNACIONAL”

Eu

à poesia

permito uma forma:

concisão,

precisão das fórmulas

matemáticas.

Às parlengas poéticas estou acostumado,

eu ainda falo versos e não factos.

Porém

se eu falo

“A”

este “a”

é uma trombeta-alarma para a Humanidade.

Se eu falo

“B”

é uma nova bomba na batalha do homem.

 

Vladimir Maiakóvski

1922
(tradução de Augusto de Campos)

domingo, 19 de abril de 2026

Com que então cá estamos de novo . Vasco Costa Marques

  

Com que então cá estamos de novo

 

Com que então cá estamos de novo
um viva engatilhado na garganta,
a coçar o eczema do povo
esfarrapado-coitado-que canta...

Cá estamos de novo, amigos,
caros adversários natalícios,
enfeitados com a rosa dos perigos,
na espera de toiros dos comícios.

É que amanhã talvez não haja nada
(de Jaguar, aliás, sobe-se bem a liberdade)
e depois do carrascão de dizer camarada
guronsan que se faz tarde.


                     Mas isso “Era uma vez...”
                     sem meninos pequeninos
                     de bibinhos azulinhos
                     de xadrez
                     a marchar para o asilo
                    de mãos dadas três a três.

 

Vasco Costa Marques