NOVAS SUGESTÕES
De que covil fugiram os tiranos da Terra?
Nero incendiou Roma duas vezes e compôs
depois uma melodia dissonante
E tocou-a até que a cidade cantasse com
ele.
Hulagu herdou a mesma melodia
Deitou fogo às bibliotecas deste mundo,
Correu tinta no rio
E das cinzas surgiu a linguagem dos
gafanhotos
Que se levantaram para agradecer ao louco.
Depois das saudações à loucura, veio o
Hitler
Que fez dos mortos barras de sabão;
Mas incapaz de ser aquietado,
Teve de incluir o mar
Na sua destruição vital.
Guerra no mar, agitação em terra,
Combinadas na sua terrível combustão
Também eu vi um tirano -
Com poder menor ao dos outros três.
Cometeu todas a barbárie,
Continua: no seu tempo
Foram cinco os poetas
Que levou ao silêncio.
AHMED DAHBUR
Este poema foi inspirado pela morte de um amigo e camarada do poeta, Muhammad Najib Abu Rayya, que morreu
numa explosão que destruiu um edifício de nove andares
em Fakhani, uma zona de Beirute Ocidental habitada
principalmente por palestinos. Abu Rayya foi morto
conjuntamente com a mulher e os oito filhos. Era sapateiro e
ofereceu muitos sapatos aos combatentes e aos pobres.
Por trás do seu riso sarcástico carregava a memória de sete
anos perdidos na prisão quando era jovem, por causa do
seu combate político
AHMED DAHBUR (1946)
Nasceu em Haifa, em 1946, mas viveu no exílio desde
1948. Trabalhou como editor político
na Agência de Radiodifusão Palestina na Síria. Foi
também repórter do Jornal do Fatah e
editor-chefe do Tunis Magazine. Regressou à Palestina
para trabalhar no Ministério da
Cultura. Devido a razões de ordem material não recebeu
uma educação académica mas é
um leitor voraz. A sua poesia, de grande
sensibilidade, é dedicada à causa palestina.
Publicou diversas colectâneas de poesia e foi
galardoado com o Prémio Palestino de Poesia
1998.
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