O Cristo Vermelho
Na antiga catedral de rendas bizantinas,
entre o fumo do incenso a subir, calmo e lento,
chagas em rosa cruz, rubro de turmalinas,
vejo um Cristo vermelho e de olhar truculento.
Evolam-se orações. Lá fora, geme o vento
um responso. No véu fechado de neblinas
vaga a tristeza negra, imensa do tormento
que aflige o mundo todo em convulsões leoninas.
E o Cristo, contemplando a multidão de
rojo
a seus pés, a rezar, cheio de tédio e nojo
clamou em voz vibrante, incisiva, estentórea:
– Como Lázaro, o vil leproso de Betânia,
Povo, surge e caminha! Sai da tua insânia!
Acorda, vai cumprir teus destinos na História!
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