A Canção do Petrel
- o mensageiro da tempestade -
Por cima da planície cinzenta do mar, o vento amontoa nuvens. Entre as nuvens e o mar, orgulhosamente, reminiscência de relâmpagos negros, voa o Petrel.
Roçando a onda com a ponta da asa como uma flecha a voar em direção às nuvens, ele grita, e as nuvens ouvem a sua alegria e coragem.
Nesse grito – Sede de tempestade! As nuvens sentem no grito um poder irado, chama de paixão e confiança na vitória.
Cada vez mais escuras, as nuvens descem sobre o mar, e as ondas cantam, correndo para o céu ao encontro do trovão.
O estrondo ensurdece, as águas lutam ferozmente contra o vento que enfurecido as aperta num abraço. As vagas em tropel numa raiva espumosa discutem com o vento e gemem, abraçando-as com força contra os rochedos numa fúria selvagem, desfazendo a massa de esmeraldas em salpicos de mil sóis.
O Petrel paira na tempestade como um relâmpago negro, silva em flecha a perfurar as nuvens no oceano, limpando a espuma das asas.
Depois lança-se como um demónio, um demónio orgulhoso – o demónio negro da tempestade. Chora e ri, ri e chora. É das nuvens que ele ri, e é com alegria que chora!
No furor da trovoada – o demónio sábio - há muito que percebeu tanto cansaço. Ele está certo de que as nuvens não vão esconder o sol – não, elas não o esconderão! -
O trovão ronca e o vento uiva…
Acima do abismo do mar, as nuvens em saraiva queimam, queimando-se em chamas azuis. O mar envolve os relâmpagos, afogando-os nas águas. E o reflexo dos relâmpagos, como serpentes de fogo, enrolam-se até desaparecerem nas profundezas do abismo.
- Tempestade! Que venha a tempestade!
Eis o corajoso Petrel a pairar orgulhosamente nos relâmpagos acima das ondas rugidoras. Ele, o profeta das vitórias, clama:
Que a tempestade ruja! Que rebente mais forte ainda!
(1901)
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