Estamos a contactá-lo de novoporter assinado no anopassado a petição «Os amigos da Irlanda votam nãopormim».
Infelizmente, o governo irlandês e a UE não respeitaram o voto irlandês contra o tratado de Lisboa. Emvez disso, o povo irlandês tem quevotar de novo «da maneiracerta», agora no dia 2 de Outubro de 2009.
Paraconvencer o eleitorado irlandês a votarSIM, o seuprópriogoverno e o ConselhoEuropeu fizeram promessas – legalmentenão vinculativas – emrelação à neutralidade, ao seuprópriocomissárioeuropeu, à leifiscal e ao aborto. Contudo, elesvãovotar uma segundavez, talcomoantes, exactamente o mesmotratado.
Na nossaopinião, é tão andidemocrático o eleitoradovotar duas vezessobre o mesmoassuntocomo o é o facto de se terem pura e simplesmente ignorado os trêsanterioresplebiscitos.
É porissoque lançámos uma novacampanha na Internetpara uma Europa pacífica, social, ecológica e democrática.
NO MEANS NO! Yes to Europe! No to the Lisbon Treaty!
Dear friends & supporters,
We get in touch with you again because you signed the petition “Irish friends vote no for me” last year.
Unfortunately, the Irish government and the EU did not respect the Irish vote against the Lisbon treaty. Instead, the Irish people should vote again “in the right way” now on October 2nd 2009.
In order to convince the Irish electorate to vote yes, their own government and the EU Council have made – legally non-binding – promises regarding neutrality, their own EU commissioner, tax law and abortion. However, they will be voting a second time on exactly the same treaty as before.
In our view, it is just as undemocratic to have an electorate vote on the same issue twice as it is to simply ignore the three previous plebiscites.
That’s why we launched a new campaign website for a peaceful, social, ecological and democratic Europe:
A guerra das palavras aí está no palco eleitoral e para melhor ser compreendida transcrevo de “A Intoxicação Linguística”[DERIVA] de Vicente Romano a pág. 11 do PrimeiroCapítulo.
«Numa entrevista concedida no Outono de 1952 ao New York Times, Albert Einstein explicava porquenão podia ser criadora de ciência a pessoacarente de visão do mundo e de consciênciahistórica. Nãobastaensinar uma especialidade, afirmava. Dessa formaaté se pode ser uma máquinaproveitosa, masnunca uma pessoavaliosa. O que importa é perceberaquilo a quevale a penaaspirar. De outraforma, comtodo o conhecimento especializado, fica-se mais parecido comumcãotreinado do quecom uma personalidade harmonicamente dotada.
O cientista tem de conhecer as motivações dos sereshumanos, aprender a conhecer as suasaspirações e as suasdores, adquirir uma atitude correcta diante do próximo e da comunidade. (Albrecht, 1979:9)
Estas preciosas qualidades adquirem-se no contacto entre as pessoas e nãoapenasnoslivros de texto e através da especialização precoce. Isto é o que constitui, essencialmente, a cultura.
Entre os traçosfundamentais de uma educação conta-se o desenvolvimento de uma consciênciacríticanosjovens, umpensamentoque conduza a uma vontadedemocrática. Peranteisto, caberia questionar: a) se a crescente especialização implica o distanciamento dos cientistas e especialistasrelativamente à filosofia; b) que contributo dão hoje os cientistaspara o desenvolvimento de uma imagem efectivamente cientifica do mundo. (5)
Quantomelhor se entenda a relaçãoentre cosmovisão, pensamento e conhecimento, tantomais se facilitará a compreensão do devirhistórico desta relação. “Mas o pensamentoteórico” – apontava Engels na Dialéctica da Natureza – “não é uma qualidadeinata, segundo a disposição. É precisodesenvolver, educar essa disposição e parataleducaçãonão existe atéhojemelhorrecurso do que o estudo da filosofia. O pensamentoteórico de cadaépoca, e também o da nossa, é umprodutohistóricoque adopta formas e conteúdosmuitodiferentesemtemposdiferentes. A ciência do pensamento é, pois, comoqualqueroutra, uma ciênciahistórica, a ciência do desenvolvimento do pensamentohumano”.
A linguagem, comoterrorismo, dirige-se aos civis e gera medo, exerce violência simbólica oupsicológica. Produz efeitosquevãoparaalém do significado.As palavrassãocomodosesminúsculas de venenoque podemos engolirsemnosdarmos conta. À primeiravistanão parecem provocarefeito, mas ao fim de umtempo acaba por manifestar-se a reacção tóxica. “O homem é tãopropenso ao efeitohipnótico dos lemascomo às doenças contagiosas”, dizia Köestler. Amaisletal das armas é a linguagem. Sempalavrasnão há guerra.»
(5) A recente (2007) disposiçãogovernamental – de umExecutivo auto-denominado socialista – que suprime a específica de Filosofia no final dos estudos pré-universitários em Portugal dir-nos-á muitosobreestecrucialponto sublinhado por Vicente Romano (NT).
“As gripes de verão são como certas maiorias absolutas, chegam não se sabe como, sofremo-las e vimo-nos aflitos para nos livrarmos delas”
(Pensamentoentredoisespirrosmarca AH1N1.)
Na Azinhaga do Asno nem todos são burros, mas bêbados há pelo menos três. Não têm mau vinho, e a seu gosto escolhem os diferentes modos de se emborracharem, como é de rigor a uma democracia que se preze. Cada qual gosta do que gosta, ninguém tem nada com isso.
À mesa da tasca a conversa é de lamentações; mesmo os que bebem para esquecer não conseguem olvidar alguns dos seus problemas.
O bem enfarpelado queixa-se que o gelo no whisky lhe causava soluços. O bebedor de cerveja confessa que passou a enfrascar-se com “minis”, porque o médico o aconselhou a beber menos. O terceiro tem um grande desgosto em não saber a razão porque gosta só do tinto.
Os trêscomparsas olharam de soslaiopara a televisão e assistiram à entradaemcena de umsenhormuitobempenteado, e escanhoado a preceito, sentado a uma mesaquemais parecia umespelho, tendo à suadireita, entre outras, a bandeira portuguesa.
O bebedor de “minis” pensou que iam tocar o hino nacional e tentou pôr-se de pé sem resultado; o que só bebia tinto disse-lhe que era um reclame ao produto mágico que põe as mesas a brilhar; o do whisky achava que era publicidade sim, mas à brilhantina ou às lâminas e pincéis para a barba.
A câmara fez um grande plano do actor, este esboçou um sorriso complacente, deu as boas noites como qualquer um dos nossos vizinhos com quem não estivéssemos zangados, gentileza a que todos responderam educadamente, e cumpridas estas primeiras e primárias formalidades o homem foi directo ao que ali o trouxera:
“Caros amigos. Quando for Primeiro-ministro...”
Não conseguiram ouvir mais nada. A Dona Arminda armou um chinfrim com o peixeiro, um escarcéu de tal ordem que o esganiço da sua voz enchia a Azinhaga:
“Aldrabão! Vigarista! Vai levar mas é...”
O patrão da tasca, com o cabo da vassoura aumentou o som do televisor, ouviu-se ainda “maioria absoluta” mas o penteadinho não conseguia abafar a Dona Arminda.
“Isso querias tu.” Gritava; “apregoas vivinha-da-costa e só vendes peixe podre. Levas com uma solha no focinho que nunca mais apareces aqui na Azinhaga”.
O carteiro, acabado de chegar, tranquilizou-os dizendo-lhes que logo a seguir, e em vários telejornais os analistas iriam comentar tudo, e ensinar-nos como deveríamos compreender o que o homem estava dizendo.
Quenão estivéssemos preocupados; quequalquerimbecil iria entender; que os senhores da televisão sabiam que havia muitagentebêbada e parva e porisso gastavam muitodinheiroparamandarexplicartudomuitobem explicadinho, não houvesse alguémque ousasse contestar o que afirmava suaexcelência.
Mais tranquilos os trêsamigos foram dissertando sobre o poucoque ouviram. No entender do “Minis” todos os primeiros-ministros, talcomo os primeiros-sargentos deviam usarfarda, boné e galõespara se distinguirem dos segundos e terceirosministros.
O senhor do whisky estava apreensivo. Encomendou uma “água das pedras” e disse aos seus companheiros que tudo o que é absoluto é preocupante, principalmente quando se trata de poder absoluto ou de maiorias absolutas, onde se constrói o absolutismo em que os governados deixam de ser ouvidos.
Os outros não compreenderam lá muito bem, mas solidários preocuparam-se também.
Os analistas e comentadores encarregar-se-ão do resto.
O penteadinho terminou a arenga, despediu-se e saiu de cenaenquanto os trêsemuníssono arrotavam.