terça-feira, 21 de janeiro de 2020

ODE À REVOLUÇÃO - Vladimir Maiakovski


Vladimir Ilyich Ulianov --Vladimir Maiakovski

          (22 de abril de 1870 – 21 de janeiro de 1924)


 ODE À REVOLUÇÃO

Não devemos
nos derramar
em poços de lágrimas, –
Lenin
ainda
está mais vivo do que os vivos
É nosso saber –
nossa força e arma

O Partido e Lenin –
são irmãos gêmeos –
quem é mais
valioso do que a mãe-história?
Dizemos Lenin –
subentendemos –
Partido,
Dizemos
Partido,
subentendemos –
Lenin

Não é a vassoura
a arma é o fuzil.
Mil vezes
a mesma coisa
ele prega
no ouvido surdo
e amanhã
cada um erguerá
as mãos
as duas
que estenderam.
Ontem foram quatro,
hoje são quatrocentos.
Escondemo-nos,
mas amanhã
vamos de peito aberto,
e esses
quatrocentos
serão mil

Dessa bandeira
de cada dobra
novamente
vivo
Lenin conclama:
– Proletários,
formem-se
para a última batalha!
Escravos,
endireitem
as colunas e os joelhos!
Exército dos proletários,
levante-se esguio!
Viva a revolução,
radiante e veloz!
Essa –
é a única
grande guerra
de todas
que a história já viveu.

Marchem
para o deserto
mais ardido que o fogo!
Façam espuma
mais branca que o papel!
Começam
remendar com preto
os oásis
dos deleites com palmeiras.

As revoluções
Aumentam
após explosões dos levantes.
É severa
a insubmissão
dos burgueses enraivecidos.
Estraçalhadas por terrieres,
uivando e gemendo,
as sombras dos tataravós
comunardos de Paris,
agora também
resmungam
em parede parisiense:
- Ouçam, camaradas!
Vejam, irmãos!
Desgraça aos solitários
- aprendam connosco!.

Para os netos
Escrevo
numa folha
o retrato
genético do capitalismo.
O capitalismo
quando jovem
Era um rapaz
até interessante:
primeiro a trabalhar –
e não temia então,
que o trabalho
sujasse sua camisa.
O tricô feudal
lhe era estreito!
Cabia
tão bem
como cabe hoje.
O capitalismo
com revoluções
floresceu
em sua primavera
e até
cantava a ‘Marselhesa’.
Pensou e
Inventou
uma máquina.
Pessoas
e as outras também!
Ele,
pelo universo
a perder de vista
de operários,
procriou
filhos.
De vez
Reinados
e condados devorou
com suas coroas
e suas águias.

Marx!
surge aos olhos
das molduras do retrato grisalho.
Como
sua vida
está distante das imagens!
As pessoas
Veem
emparedado no mármore,
com gesso,
um velho gélido.
Mas quando
pela trilha revolucionária
os operários
davam
seu primeiro
passinho
oh, com que
incrível fornalha
Marx
Acendeu
seu coração
e sua ideia!.



Tradução de Zoia Prestes


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Poema de 28 de Maio ao contrário - Jorge de Sena


Poema de 28 de Maio ao contrário


Gigante foi a luz que acesa se estendeu por sobre as
trevas de um povo prisioneiro.
Ninguém esperava que no primeiro impulso
de um movimento militar se abrissem todas as janelas
e todas as portas. Mas abriram-se e por elas a luz e
as vozes foram restituídas.
Todos agora, exército e povo, os militares e os políticos, e
quantos nunca pensaram que a política é coisa
de todos os dias ter de aprender-se a ver, a falar
e a ouvir, lá onde na caverna
só sombras de fantasmas existiam.
Todos têm de aprender a governar e a governar-se n’alma
e a fazer governo a liberdade e as vozes e o
direito de existir-se à luz do dia
como gente viva num país que é ela.
Todos têm de aprender que a liberdade não existe
apenas porque é dada, pois pode ser tirada, ou
apenas porque é conquistada, pois pode ser
licença em que não reste senão ela perder-se. Têm de
aprender que não pode ter-se num só dia
o que se perdeu em décadas. E que a Justiça
é a Liberdade que pensa mais nos outros que em si mesma.


Santa Bárbara, 28/5/1974

domingo, 19 de janeiro de 2020

A vitória de Guernica - Paul Eluard

A vitória de Guernica

5.

Fizeram-vos pagar o pão
O céu a terra a água o sono
E a miséria
Da vossa vida


Militante do Partido Comunista Francês. Tornou-se mundialmente conhecido como O Poeta da Liberdade.


Algumas das Palavras, organização e prefácio de António Ramos Rosa, tradução de António Ramos Rosa e Luísa [sic] Neto Jorge, Lisboa: D. Quixote, 2ª edição, 1977, p. 75.