terça-feira, 4 de julho de 2023

Tudo em dia - Arnaldo Antunes

"tudo em dia"

vou c o m p r a r uma casa, vou ganhar dinheiro

vou pensar no futuro, vou fazer um seguro

vou ganhar o pão nosso de cada dia

vou por tudo o q u e tenho na garantia

vou ter conta no banco, vou trabalhar no escritório

vou tomar um chope, vou tomar sorvete

vou tomar remédio, que maravilha

vou c a s a r c constituir família

vou a n d a r de táxi, vou deixar o troco

vou p a g a r os impostos, vou por os filhos na escola

vou ser respeitado, vou e n g r a x a r o s a p a t o

vou botar o chinelo, vou sentar na poltrona

vou j a n t a r na melhor c h u r r a s c a r i a

vou pedalar domingo na ciclovia

vou ter conta na mercearia

vou gozar a aposentadoria

vou ter cie, eleitor, reservista, rg

automóvel, tv

crediário, p o u p a n ç a , c a r n ê

tudo em dia, tudo em dia

tudo em dia, tudo em dia

 

Arnaldo Antune

 

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Cores - Beatriz Iriart

 


Cores

A vida dói
desde o casulo
do negro algodão
que castiga de tão branco
e seus cânticos negros
que doem

De tanto sol.

Beatriz Iriart

COLORES

 

Duele la vida

desde el capullo

del negro algodón

que castiga de tan blanco

y sus cánticos negros

que duelen

de tanto sol.

 

Poeta argentina (La Plata, 1954). Estudió cerámica y pintura. Ha publicado los libros Perspectivas (1977), Collage de cinco (1981), Extraño linaje (1984) y La muerte quiere (2003). Ha recibido premios y menciones de la Sociedad Argentina de Escritores (Sade) y de la Sociedad de Escritores de la Provincia de Buenos Aires (SEP), entre otros. Su obra ha sido publicada en inglés y portugués en varios países y en diferentes antologías en su país y en el extranjero. Actualmente publica en Estados Unidos, Canadá, España, Brasil, Venezuela, Uruguay, Argentina, Alemania, entre otros países, en diferentes idiomas. Formó parte del movimiento underground en la década del ‘70, colaborando con la revista literaria Machu Picchu.

 


domingo, 25 de junho de 2023

serge reggiani - ma liberté

 

Ma liberté

Ma liberté
Longtemps je t'ai gardée
Comme une perle rare
Ma liberté
C'est toi qui m'as aidé
À larguer les amarres

On allait n'importe où, on allait
Jusqu'au bout des chemins de fortune
On cueillait, en rêvant, une rose des vents
Sur un rayon de lune

Ma liberté
Devant tes volontés
Ma vie était soumise
Ma liberté
Je t'avais tout prêté
Ma dernière chemise

Et combien j'ai souffert
Pour pouvoir satisfaire
Toutes tes exigences
J'ai changé de pays
J'ai perdu mes amis
Pour gagner ta confiance

Ma liberté
Tu as su désarmer
Mes moindres habitudes
Ma liberté
Toi qui m'as fait aimer
Même la solitude

Toi qui m'as fait sourire
Quand je voyais finir une belle aventure
Toi qui m'as protégé
Quand j'allais me cacher
Pour soigner mes blessures

Ma liberté
Pourtant je t'ai quittée
Une nuit de décembre
J'ai déserté les chemins écartés
Que nous suivions ensemble

Lorsque sans me méfier
Les pieds et poings liés
Je me suis laissé faire
Et je t'ai trahie pour une prison d'amour
Et sa belle geôlière
Et je t'ai trahie pour une prison d'amour
Et sa belle geôlière

 

Minha Liberdade

Minha liberdade
Conservei-te por muito tempo
Como uma pérola rara
Minha liberdade
Foste tu que me ajudaste
A soltar as amarras

Íamos a todo lugar, íamos
Até o final dos caminhos de acaso
Colhíamos, sonhando, uma rosa dos ventos
Num raio de Lua

Minha liberdade
Às tuas vontades
Minha vida era submissa
Minha liberdade
Eu tinha-te emprestado tudo
Minha última camisa

E quanto sofri
Para poder satisfazer
Todas as tuas exigências
Mudei de país
Perdi amigos
Para ganhar tua confiança

Minha liberdade
Tu soubeste desarmar
Meus menores costumes
Minha liberdade
Tu que me fizeste amar
Até a solidão

Tu que me fizeste sorrir
Quando eu via acabar-se uma bela aventura
Tu que me protegeste
Quando eu ia esconder-me
Para curar minhas feridas

Minha liberdade
No entanto, abandonei-te
Numa noite de dezembro
Desertei os caminhos isolados
Que seguíamos juntos

Quando, sem desconfiar
Com os pés e punhos atados
Deixei-me levar
E te traí por uma prisão de amor
E sua bela carcereira
E te traí por uma prisão de amor
E sua bela carcereira

(tradução google)

 

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Quadras do Aleixo - António Aleixo

 

Quadras do Aleixo

 

 

O mundo só pode ser

Melhor do que até aqui

Quando consigas fazer

Mais pelos outros que por ti

 

A ninguém faltava o pão

Se este dever se cumprisse

Ganharmos em relação

Com o que se produzisse

 

Vinho que vai para vinagre

Não retrocede o caminho

Só por obra de milagre

Pode de novo ser vinho

 

Julgando o dever cumprir

Sem descer no meu critério

Digo verdades a rir

Aos que nos mentem a sério

 

 António Aleixo