segunda-feira, 24 de agosto de 2020

MÃOS - Olinda Beja

  

MÃOS

límpidas mãos que na noite se erguem
pedintes de óbolos que outras mãos espargem

na rota do sândalo buscam essas mãos
a essência pura de África milenar

mãos esguias rudes mãos pretas de cor
lívidas de pensamento
doridas mãos que embalaram sóis
e luas e estrelas
e vidas sem porvir
mãos que desenharam rostos e palavras
e todas as cores das aves solitárias
mãos que colheram café e gengibre e fruta-pão
mãos doces como mel de abelhas em cresta de junho
profundas e místicas como amêndoas do Shara
mãos que acenderam lamparinas
para varrer da noite a escuridão
mãos que adormeceram como borboleta
em cima de uma flor
mãos de avó, de mãe, de irmã
mãos de todas as mulheres que carregam nas costas
a imortalidade do universo
para vós este poema
perfumado de
cajamanga

 

Olinda Beja

domingo, 23 de agosto de 2020

Às mulheres - Edda I. López Serrano


 

Ás mulheres.

Das mulheres livres, sempre se desconfia;
as mulheres fortes, são sempre temidas.
As mulheres inteligentes, ocultam-se.
As mulheres “perigosas” silenciam-se,
Às mulheres valentes, ninguém reescreve a história...
Às mulheres sólidas procuram-se falhas.
As mulheres desejam-se convenientes;
por isso não são consideradas dignas; apenas imperfeitas.
As mulheres cobrem-nos e despem-nos;
mas raramente nos desCobrem...
Este é o nosso presente: brilhar.
A feiticeira

Edda I. López Serrano

A las Mujeres.

De
las mujeres libres, siempre se desconfía;

de las mujeres fuertes, siempre se teme.

A las mujeres inteligentes, se las omite.

A las mujeres «peligrosas» se las silencia,

Por las mujeres valientes, nadie reescribe la historia…

A las mujeres sólidas se le buscan grietas.

A las mujeres se las necesita convenientes;

por esto no se las considera dignas; solo imperfectas.

A las Mujeres nos cubren o nos desnudan;

pero pocas veces nos desCubren…

Ese es nuestro presente: brillar.

La Maga
Edda I. López
Serrano


Edda I. López Serrano. Secretaria de
Asuntos de la Mujer y Género del Partido Independentista Puertorriqueño. Ha
dedicado toda su vida a la lucha por la independencia y trabaja muy
cercanamente con María de Lourdes Santiago, vicepresidenta del Partido
Independentista, en luchas feministas, antirracistas, construyendo justicia
social enmarcada en la descolonización e independencia de Puerto Rico.
Además, es colaboradora de diversos
colectivos y organizaciones que inciden en visibilizar y resolver las
consecuencias de políticas neoliberales, tales como la erradicación de las
violencias por razón de género, hostigamiento, acoso y agresión sexual, acceso
a servicios médicos, alimentación y vivienda digna.
Es una de las integrantes fundadoras
del colectivo Las Lolitas, un espacio de coincidencia política de mujeres
diversas, independentistas, y socialistas que surgió para conmemorar el
centenario de Lolita Lebrón, madre de la lucha independentista, la Coalición 8
de marzo, la Mesa Aborto Libre, Seguro y Accesible, y otras agrupaciones.
Afirma que las luchas de las mujeres
en Puerto Rico debe ser descolonizadora, independentista, antirracista,
anticlasista e inclusiva para todas las mujeres y personas sexo-género
diversas.


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Cantigas de Maio - Joaquim Pessoa / Carlos do Carmo




Cantiga de Maio

Trago dentro da garganta
As letras do teu nome
Quando um homem se levanta
Grita fúria em vez de fome
Só a força das palavras
Fezdo medo esta verdade
Quando é teu o chão que lavras
Oarado é liberdade
Meu país vontade corcel de saudade vencida
Meu povo em viagem ganhando a coragem perdida
Meu trigo meu canto meu maio de espanto doendo
Meu abril tão cedo tão tarde meu medo morrendo
Meu amor ausente meu beijo por dentro queimado
Num tempo tão lento tardamos no vento até quando
Até quando?
Trago as palavras desertas
Na  canção que eu inventei
E nas duas mãos abertas
Estas veias que rasguei
Por isso o meu sangue corre
Na seiva da primavera
Sou um homem que não morre
Sou um povo que não espera
Meu país vontade corcel de saudade vencida
Meu povo em viagem ganhando a coragem perdida
Meu trigo meu canto meu maio de espanto doendo
Meu abril tão cedo tão tarde meu medo morrendo
Meu amor ausente meu beijo por dentro queimado
Num tempo tão lento tardamos no vento até quando
Até quando?

Joaquim Pessoa
Carlos Do Carmo interpreta "Cantiga De Maio"