
Victor SEGALEN
Uma das «Estelas» de Victor Segalen, intitulada «Libation Mongole»,* fala de um guerreiro inimigo aprisionado no final de uma batalha a quem, por se ter batido com grande coragem, é proposto que se passe para o lado dos vencedores. É um texto admirável sobre lealdade e a inteireza de carácter:
«Cortámos-lhe as pernas pelos joelhos […]. Cortámos-lhe os braços […]. Fendemos-lhe a boca de orelha a orelha: com o olhar, continuou a dizer-nos que permanecia fiel.
Não lhe espetemos os olhos como se faz aos cobardes. Em vez disso, cortemos-lhe respeitosamente a cabeça, derramemos o koumys dos bravos, & esta libação:
Quando renasceres, Tch’en Houo-chang, dá-nos a honra de renascer entre nós.»
Primeiro parágrafo do depoimento de Manuel António Pina sobre Álvaro Cunhal no livro ‘Retratos de Álvaro Cunhal’ de José da Cruz Santos, editado pela Afrontamento.
Libation Mongole*
C'est ici que nous l'avons pris vivant. Comme il se battait bien nous lui offrîmes du service : il préféra servir son Prince dans la mort.
Nous avons coupé ses jarrets : il agitait les bras pour témoigner son zèle. Nous avons coupé ses bras : il hurlait de dévouement pour Lui.
Nous avons fendu sa bouche d'une oreille à l'autre : il a fait signe, des yeux, qu'il restait toujours fidèle.
Ne crevons pas ses yeux comme au lâche; mais tranchant sa tête avec respect, versons le koumys des braves, et cette libation :
Quand tu renaîtras, Tch'en Houo-chang fais-nous l'honneur de renaître chez nous.
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