sábado, 31 de outubro de 2026

OFÍCIO - Edimilson de Almeida Pereira

2 Poemas de Edimilson de Almeida Pereira – Revista Acrobata

OFÍCIO

 

Tatear a origem

é iludir-se.

 

O escrito, à mercê

do que foi dito,

inaugura outro país.

 

O que se dá nos mapas

em forma

de província, urbe

& melhorias

 

não é senão um caco

de palavra.

 

A origem ressona

grave,

sem nação ou pacto.

Há quem a leve

 

no bolso, em crimes

que nos deserdam.

 

Outros a curtem sob a

forma

de bois de aluguel.

 

Ou a costuram em óleos

santos.

 

Mas há os ferinos e seu

humour

que tira o minério

das conchas.

 

Por eles a origem despista

rendas, misérias

e outros benefícios.

 

Pela origem

somos-não-somos.

Espécie que escreve

para esquecer.

 

Edimilson de Almeida Pereira

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